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Bosch afirma que pode salvar os motores a diesel

Christoph Rauwald

25/04/2018 12h06

(Bloomberg) -- A Robert Bosch informou que seus engenheiros desenvolveram um novo sistema de exaustão de diesel que reduz as emissões muito abaixo dos limites legais que entrarão em vigor em 2020. A companhia afirma que pode ajudar fabricantes de automóveis a evitar potenciais proibições na Europa que ameaçam condenar a tecnologia do motor.

"Esta inovação oferece a oportunidade de levar o debate acalorado sobre o diesel a um novo território e, esperamos, concluir essa discussão", disse Volkmar Denner, CEO da Bosch, em uma entrevista coletiva perto de Stuttgart nesta quarta-feira.

A gigante alemã de engenharia, a maior fornecedora de motores a diesel para fabricantes de automóveis do mundo inteiro, como Volkswagen, General Motors e Fiat Chrysler, está intensificando a luta contra a erosão da participação de mercado provocada pelo escândalo de emissões de 2015 da Volkswagen. Dezenas de milhares de empregos dependem da tecnologia, mas os consumidores estão passando a preferir motores a gasolina porque cidades como Paris e Londres consideram impor proibições de dirigir para melhorar a qualidade do ar.

As fabricantes de automóveis confiaram no diesel para ajudar o setor a cumprir os limites de emissões de CO2, que contribui para o aquecimento global. Mas, embora emita menos CO2 do que os motores a gasolina, a tecnologia também gera óxidos de nitrogênio que ajudam a criar um smog nocivo, um problema mais grave nas grandes cidades.

O novo processo da Bosch otimiza o gerenciamento térmico das temperaturas de exaustão, reduzindo as emissões de óxido de nitrogênio a um décimo do limite legalmente permitido e não exige equipamento novo, disse Denner. O sistema mantém a estabilidade das emissões até mesmo em temperaturas baixas, disse ele.

"Com essa nova tecnologia de exaustão, as proibições gerais de dirigir no centro das principais cidades do mundo não serão mais um problema. Por quê? Porque agora temos a tecnologia para resolver o problema dos óxidos de nitrogênio no tráfego rodoviário", disse Denner.

O papel da Bosch como principal fornecedora global foi examinado quando os promotores alemães investigaram a tecnologia potencialmente ilegal de motores a diesel usada pelas fabricantes de automóveis para passar nos testes de emissão. Denner reiterou que a Bosch coopera totalmente com as autoridades relevantes. Ele pediu mais transparência nos testes de emissões para carros com motores de combustão e também para veículos elétricos, a fim de obter uma visão realista do impacto exato sobre o meio ambiente e a qualidade do ar.

Ele disse que a empresa está proibindo a tecnologia que reconhece ciclos de testes e que seus produtos já não poderão ser otimizados para situações de teste. As autoridades reguladoras intensificaram os esforços para reduzir a diferença entre os rótulos oficiais de emissão, baseados em testes de laboratório, e as emissões reais ao dirigir.

--Com a colaboração de Tommaso Ebhardt