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Crise da oferta pode levar produção da Opep a limite, afirma AIE

Grant Smith

12/07/2018 12h25

(Bloomberg) -- Os membros da Opep da região do Golfo talvez precisem extrair quase o máximo de petróleo bruto possível para compensar as crescentes reduções da oferta na Venezuela, no Irã e em outros lugares, segundo a Agência Internacional de Energia.

A Arábia Saudita pode ter que recorrer mais do que nunca à sua capacidade de produção ociosa porque a crescente crise econômica na Venezuela, as novas sanções dos EUA ao Irã e as interrupções na Líbia estão pressionando os mercados globais, projetou a agência.

"O aumento da produção dos países do Golfo do Oriente Médio e da Rússia, apesar de bem-vinda, vem às custas do colchão de capacidade ociosa do mundo, que poderia chegar ao limite", afirmou a AIE, que tem sede em Paris, em seu relatório mensal. "Esta vulnerabilidade sustenta atualmente os preços do petróleo e parece provável que continue sustentando-os."

Enfrentando uma intensa pressão política do presidente dos EUA, Donald Trump, a Arábia Saudita prometeu no mês passado que o reino e seus aliados aumentariam a oferta de petróleo para evitar que a alta dos preços prejudique a economia global. No entanto, como a situação na Venezuela continua piorando e Trump impôs sanções agressivas contra o Irã, os receios de que o aumento da oferta não seja suficiente mantêm os preços perto dos patamares mais altos em três anos.

A capacidade de produção total da Venezuela poderia cair para menos de 1 milhão de barris por dia até o final do ano, elevando sua perda total em 2018 a mais de 40 por cento, afirmou a AIE. O Irã já observou uma queda de quase 50 por cento em suas remessas para a Europa porque as sanções impostas pelos EUA barram compradores, e as exportações totais do país poderiam cair ainda mais, segundo a agência, que assessora a maioria das principais economias do mundo.

À medida que as perdas de oferta da Organização dos Países Exportadores de Petróleo se acumulam, seu maior produtor, a Arábia Saudita, tenta preencher a lacuna. No mês passado, o reino deu o maior impulso à produção em mais de três anos ao adicionar 430.000 barris por dia, para um total de 10,46 milhões por dia, segundo a agência.

Aumento da produção

Se os sauditas elevarem a produção ao recorde de 11 milhões de barris por dia no próximo mês, como indicaram que poderiam fazer, este seria o maior aumento realizado pelo reino em um período de dois meses desde 2011, afirmou a AIE.

O aumento da produção poderia reduzir ainda mais a capacidade de produção ociosa do país - o petróleo bruto de reserva para emergências - para "um nível sem precedentes abaixo de 1 milhão de barris por dia", projetou a AIE. Com a medida, restaria apenas 1 por cento da oferta global para compensar eventuais interrupções adicionais.

Os futuros do petróleo bruto dos EUA subiram para mais de US$ 75 o barril em 3 de julho, o patamar mais elevado desde o final de 2014, e Trump criticou a Opep dizendo que a organização deveria se empenhar mais para moderar os preços. Os custos do combustível provocaram protestos no Brasil e na Rússia, além de reclamações da Índia.