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Trading Vitol fecha parceria com Peabody para processar carvão

Andy Hoffman

18/07/2018 13h33

(Bloomberg) -- A Vitol Group, maior trading independente de petróleo do mundo, e a gigante da mineração Peabody Energy estão unindo forças para dar uma nova chance ao carvão.

As empresas se associaram a uma startup do Reino Unido que desenvolveu um processo para pulverizar o carvão, remover impurezas e poluentes e misturá-lo com petróleo ou combustíveis para uso por refinarias e outros clientes. Apesar de não ter sido testada em escala industrial, a técnica tem o potencial de recuperar uma indústria que está tropeçando porque o mundo está evitando o carvão e dando preferência ao gás natural e a energias renováveis, que são menos poluentes.

"A indústria do carvão precisa disso porque somos capazes de transformar sua matéria-prima em produtos de maior valor que geram menos emissões", disse Julian McIntyre, fundador e CEO da startup Arq, em entrevista. "A indústria do petróleo precisa disso porque o setor de energia está se tornando mais diversificado e competitivo com as fontes renováveis."

A Arq está construindo uma fábrica em Corbin, Kentucky, para processar o carvão de uma mina próxima da Peabody, e a Vitol fechou acordo para misturar e comercializar a produção resultante. A produção custa menos de US$ 10 pelo equivalente a um barril, segundo a Arq, que tem sede em Londres.

"Precisamos de hidrocarbonetos de menor custo, e é exatamente isso que forneceremos", disse McIntyre.

Testado em laboratório

Métodos de transformação de carvão em derivados líquidos de petróleo ou em outros hidrocarbonetos são testados há cerca de um século com distintos níveis de sucesso. O processo da Arq até o momento funcionou bem em ambiente de laboratório, segundo a empresa.

Segundo os acordos anunciados nesta quarta-feira, Vitol e Peabody investirão US$ 10 milhões cada na Arq, e existe a possibilidade de que injetem mais dinheiro nos próximos três anos.

A parceria pode permitir que a Peabody agregue valor ao carvão, reduza a pegada ambiental e expanda o mercado de seus produtos, disse Charles Meintjes, vice-presidente-executivo e diretor comercial da empresa com sede em St. Louis, em comunicado.

O empreendimento pode permitir também que refinarias e consumidores de combustíveis diversifiquem as fontes de abastecimento, disse Mike Muller, ex-chefe de trading de petróleo da Royal Dutch Shell, que recentemente entrou para a Vitol, em outro comunicado.

Mudança da Vitol

A própria Vitol tomou várias medidas pequenas para se diversificar quando os padrões de consumo de energia começaram a mudar. Recentemente, investiu em uma empresa que produz combustível a partir de plásticos reciclados e também em uma joint venture de baterias para armazenamento. Nesta semana, a empresa criou um fundo de 200 milhões de euros (US$ 234 milhões) para investir em projetos de energia eólica.

A Arq pretende terminar a fábrica em Kentucky no começo de 2019 e produzir o equivalente a cerca de 2.000 barris por dia quando estiver operando a plena capacidade. A empresa planeja construir posteriormente fábricas maiores perto de minas de carvão nos EUA e na Austrália, e tem como meta produzir 100.000 barris por dia dentro de dois anos, disse McIntyre.