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Problemas da economia global pairam sobre encontro de BCs

Christopher Condon e Piotr Skolimowski

20/08/2018 12h59

(Bloomberg) -- As férias de verão nos principais bancos centrais terminam nesta semana. Seus líderes se encontrarão na sexta-feira e no sábado durante o simpósio anual do Federal Reserve, em Jackson Hole, no Estado americano de Wyoming.

O presidente do Fed, Jerome Powell, discursa na sexta de manhã. Investidores esperam que ele esclareça diversas questões, como a trajetória provável dos juros nos EUA, o plano para o balanço patrimonial da instituição e a visão dele sobre a turbulência nos mercados emergentes.

O escritório regional do Fed em Kansas City, anfitrião do evento, divulgará a lista de palestrantes e participantes na noite de quinta-feira. O tema oficial é o impacto econômico de companhias gigantes como a Amazon.com.

A expectativa é que o Fed eleve a taxa básica de juros dos EUA pela terceira vez no ano em setembro, mas um quarto acréscimo em dezembro é considerado menos provável. Também não se sabe até que ponto o juro pode subir antes que o aperto monetário seja pausado. Powell deixou esse quadro ainda mais nebuloso em julho, quando disse a parlamentares que elevações graduais nos juros eram adequadas "por ora".

O economista-chefe para os EUA do Barclays, Michael Gapen, espera que o encontro produza alguma informação atualizada sobre o plano do Fed para a redução do balanço patrimonial. Esse processo está diminuindo o nível das reservas no sistema bancário e há indícios de que esteja afetando a capacidade do Fed de administrar a taxa básica de juros.O estresse em mercados emergentes, especialmente na Turquia, deve ser tema de discussões paralelas durante o encontro. No entanto, economistas acreditam que, a menos que as condições financeiras globais piorem consideravelmente, o Fed não adiará a elevação dos juros em setembro.

"Até que isso represente uma ameaça próxima à perspectiva econômica nos EUA, o Fed dificilmente deixará de fazer o que é adequado com base nos fundamentos domésticos", afirmou Carl Tannenbaum, economista-chefe da Northern Trust, em Chicago.

Riscos globais

Além das preocupações com mercados emergentes, o alastramento de disputas comerciais e os sinais de desaceleração do crescimento na China trazem riscos à expansão global.

O Banco Central Europeu definiu uma trajetória relativamente clara para a política monetária ao longo do próximo ano. O plano é suspender as compras de títulos no final do ano e manter os juros nos menores níveis históricos "pelo menos durante o verão de 2019". O presidente do BCE, Mario Draghi tem alertado que incertezas globais "proeminentes" são o principal risco ao forte avanço econômico da região.

O Banco do Japão fez em julho o ajuste mais significativo na política monetária em dois anos e ainda está avaliando a reação do mercado. O comandante Haruhiko Kuroda avisou que o BC vai calibrar as operações no mercado de títulos nos próximos meses para permitir a alta dos rendimentos dos papéis de 10 anos.

Já o Banco da Inglaterra vem lidando com as implicações da saída do Reino Unido da União Europeia. Sem grandes progressos na negociação de um relacionamento comercial com a UE no futuro, o banco central britânico precisa fazer planos para lidar com uma potencial saída difícil do bloco (possibilidade conhecida como "hard Brexit").

As discussões formais e os estudos apresentados durante o simpósio em Jackson Hole serão voltados para o tema oficial: o aumento da concentração de mercado nas economias desenvolvidas. Com menos empresas controlando fatias maiores de diversos setores, a pergunta é se essa concentração diminuirá a concorrência e trará consequências negativas para consumidores, trabalhadores e a economia como um todo.

--Com a colaboração de Lucy Meakin e Yuko Takeo.

Repórteres da matéria original: Christopher Condon em Washington, ccondon4@bloomberg.net;Piotr Skolimowski em Frankfurt, pskolimowski@bloomberg.net