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Ex-funcionário do Deutsche admite ajuda para manipular Libor

Chris Dolmetsch

21/09/2018 15h07

(Bloomberg) -- Um ex-funcionário do Deutsche Bank responsável por informar a taxa diária de captação do banco ? que era compilada junto com a de outras instituições para cálculo da Libor - admitiu que frequentemente alterava o dado a pedido de colegas, para favorecer suas apostas.

James King deu o depoimento na quinta-feira em um tribunal federal em Nova York, no segundo dia do julgamento de Matthew Connolly e Gavin Black, ex-funcionários do Deutsche Bank acusados de conspirar para manipular a Libor entre 2004 e 2011, com o objetivo de aumentar a lucratividade de determinadas operações e os bônus que recebiam.

King fez um acordo de delação com o governo para não ser processado. Ele contou que traders frequentemente lhe pediam para informar uma taxa mais alta ou baixa para beneficiar suas posições. Um desses traders seria Black, que sentava tão perto de King no escritório do banco em Londres que bastava se virar para fazer o pedido.

"A mesa era muito próxima. Nós ficávamos lá por muito tempo. Era muito fácil para alguém como Gavin Black se virar e conversar sobre a Libor durante o dia", disse King, que saiu do banco no final de 2012.

King, 41 anos, contou ao júri como apresentava a taxa diária da instituição para cálculo da Libor, conversando com corretores para saber o que estava acontecendo no mercado e usando uma planilha com dados relacionados às transações diárias com caixa.

Dados alterados

Nem sempre o procedimento era seguido, de acordo com King. Ele às vezes alterava a taxa a pedido de operadores como Black, que, segundo King, abusava da posição do Deutsche como instituição que submetia informações para cálculo da Libor.

"Nós tirávamos vantagem daquela posição para beneficiar os operadores", disse King. "É intuitivamente errado. Nós tínhamos vantagem injusta."

King voltará a depor na segunda-feira. A primeira testemunha da promotoria foi Thomas Youle, professor de economia da Faculdade Dartmouth. Ele explicou aos jurados o papel da taxa interbancária do mercado londrino - uma estimativa diária do custo de captação para os maiores bancos do mundo, usada para definir o valor de trilhões de dólares em produtos financeiros.

A defesa se baseia no argumento de que as regras da Associação de Bancos Britânicos para informação das taxas não eram precisas na época em que Connolly e Black teriam manipulado a Libor.

Regras claras

Youle afirmou que, mesmo não havendo regras específicas, os bancos deveriam apresentar as informações "dentro do espírito" proposto pela Associação de Bancos Britânicos para definição da referência.

"O propósito é medir a taxa interbancária com precisão", declarou o professor.

Este é o segundo julgamento nos EUA sobre acusações de manipulação por operadores do mercado financeiro. Dois ex-funcionários do Rabobank Groep foram considerados culpados em 2015, mas as condenações foram canceladas no ano passado, quando um tribunal de recursos concluiu que o depoimento forçado deles no Reino Unido foi utilizado de forma inadequada. Deutsche Bank e Barclays estão entre as instituições que aceitaram pagar mais de US$ 9 bilhões em multas relacionadas a acusações de manipulação de taxas. A investigação global sobre a prática começou há mais de sete anos. Dezenas de operadores foram indiciados nos EUA e Reino Unido, mas poucos foram condenados após julgamento.

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