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Negociação Honda-Waymo fracassa por acesso a tecnologia: Fontes

David Welch e Alistair Barr

05/10/2018 14h12

(Bloomberg) -- A Honda Motor e a Waymo, a unidade de carros autônomos da Alphabet, estavam se aproximando neste ano de um acordo para o desenvolvimento conjunto de veículos autônomos quando a empresa japonesa desistiu da parceria, segundo pessoas informadas sobre o assunto.

Alguns meses depois, a Honda comprou a unidade GM Cruise da General Motors, escolhendo uma parceira familiar em vez de um peso-pesado da tecnologia. Há uma série de razões para explicar por que o acordo com a Waymo fracassou, mas as questões mais prementes ressaltam as complexidades enfrentadas pelas empresas de tecnologia e fabricantes de veículos quando se unem e ao mesmo tempo competem por uma fatia do futuro dos transportes.

Por um lado, a Waymo não estava disposta a compartilhar a tecnologia básica que já havia desenvolvido para fazer funcionar os veículos autônomos e buscava fechar um acordo para que a Honda fornecesse os carros, de acordo com duas pessoas com conhecimento do assunto que pediram para não serem identificadas porque as negociações foram privadas. Em essência, a Waymo queria ser o cérebro e colocar a Honda na função de músculos do relacionamento.

"Tudo se resume ao controle da tecnologia e à experiência do usuário", disse Grayson Brulte, cofundador da consultoria de autonomia Brulte & Co. "Só podemos presumir que a Honda quer manter um certo grau de controle."

Uma pessoa a par das negociações disse que a Waymo queria que a Honda fornecesse os veículos elétricos -- área na qual a fabricante de veículos está apenas começando a se consolidar. Todas as parceiras atuais da Waymo fornecem veículos elétricos ou híbridos plug-in porque seu sistema de direção autônoma precisa de mais potência do que as pequenas baterias de 12 volts dos carros convencionais.

Depois de iniciar as negociações, no fim de 2016, a Honda disse à Waymo que estava trabalhando em um veículo elétrico para a parceria que competiria com o Tesla Model 3. Mas em dezembro do ano passado a Waymo mostrou preocupação com o progresso rumo a esse objetivo e a Honda foi ao mercado atrás de baterias para equipar o veículo, disse a pessoa.

Baterias da GM

Simultaneamente, a Honda mantinha parceria com a GM para o desenvolvimento de células de combustível. A fabricante de veículos de Detroit oferece o Chevrolet Bolt EV nas lojas e desenvolveu uma bateria que será usada em 20 novos veículos elétricos em todo o mundo até 2023. Em junho, as empresas anunciaram um acordo por meio do qual a Honda usaria as células e a bateria da GM, não só porque a bateria da GM tinha boa autonomia, mas também porque as duas fabricantes descobriram que, trabalhando em conjunto, poderiam reduzir os custos.

Pouco depois, as duas empresas começaram a dialogar também a respeito da tecnologia de direção autônoma. A GM havia exibido seus carros autônomos no ano passado e em maio obteve investimento de US$ 2,25 bilhões da empresa japonesa SoftBank Group, o que lhe deu credibilidade tecnológica.

Nos últimos dois meses, funcionários da Honda foram a São Francisco para conhecer melhor a tecnologia da GM Cruise. Seus engenheiros fizeram várias viagens por dia durante semanas, disse uma das pessoas. A Honda examinou o código da Cruise e estudou a tecnologia mais de perto, algo que a Waymo prefere não permitir.

O resultado: um acordo anunciado nesta semana segundo o qual a Honda se compromete a injetar US$ 2,75 bilhões na Cruise em troca de uma participação de 5,7 por cento, o que avalia a empresa em cerca de US$ 14,5 bilhões.

Honda e Waymo preferiram não comentar sobre o fracasso das negociações. Kyle Vogt, CEO da Cruise, disse em entrevista que o acordo da empresa foi o resultado de "uma relação preexistente com a Honda que remonta e abrange muitas colaborações para novas tecnologias".

--Com a colaboração de Ma Jie.

Repórteres da matéria original: David Welch em Southfield, dwelch12@bloomberg.net;Alistair Barr em San Francisco, abarr18@bloomberg.net