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Aeroporto no México pode criar impasse para investidores

Daniela Guzman e Andrea Navarro

23/10/2018 13h59

(Bloomberg) -- Um referendo sobre o futuro do aeroporto da Cidade do México, que está parcialmente construído, será realizado nesta semana e poderia se tornar o primeiro impasse entre o presidente eleito Andrés Manuel López Obrador e investidores que adotaram a tática de esperar para ver como será o novo governo.

A votação nacional, entre os dias 25 e 28 de outubro, perguntará se a população deseja dar continuidade ao projeto de US$ 13 bilhões em Texcoco ou optar por uma alternativa mais barata e mais afastada da Cidade do México. De acordo com uma pesquisa nacional feita pelo jornal El Financiero no mês passado, 63 por cento dos consultados defendem a continuidade da construção do aeroporto.

À medida que a data do referendo se aproxima, no entanto, os investidores estão ficando cada vez mais nervosos. O rendimento sobre US$ 6 bilhões em títulos vendidos para financiar o novo aeroporto disparou neste mês depois que AMLO, como o presidente eleito é conhecido, disse em um vídeo no Facebook que não há condições de "financiar este projeto" e um de seus assessores alertou que o projeto já tem dois anos de atraso. O projeto poderia se tornar um teste decisivo sobre a abordagem do novo governo em relação aos negócios e assuntos financeiros.

"Tem crescido o risco de que o referendo tenha um resultado negativo" para o projeto em Texcoco, escreveram analistas do Bank of America em uma nota na segunda-feira. Se isso ocorrer, "os investidores vão elevar a probabilidade de que AMLO promulgue políticas menos favoráveis ao mercado do que as que foram apresentadas por sua equipe econômica aos investidores".

Embora a chamada consulta pública desta semana não seja juridicamente irrevogável, López Obrador promete respeitar o resultado, que deve ser anunciado no domingo. O exercício não tem precedentes no México, considerando que o referendo abrange mais de 500 cidades e uma pesquisa presencial.

O cancelamento do aeroporto teria um custo elevado. O projeto já está 32 por cento concluído, segundo a última estimativa feita pelo governo de Enrique Peña Nieto, em setembro, e grande parte do dinheiro para concluí-lo já foi reunida.

Se o governo tivesse que quitar antecipadamente a dívida atual ligada ao projeto - títulos, um crédito bancário e uma taxa de cancelamento de 30 por cento -, a conta seria de US$ 10,48 bilhões, ou 0,88 por cento do PIB, escreveu o BBVA em uma nota na segunda-feira.

Alternativa inviável

Uma organização sem fins lucrativos dos EUA, a MITRE, e um braço especial das Nações Unidas chamado Organização de Aviação Civil Internacional avaliaram o novo projeto para o aeroporto. A MITRE publicou um comunicado em dezembro em que afirmou que o plano alternativo "não é viável do ponto de vista aeronáutico, tanto no curto quanto no longo prazo" devido às limitações com o espaço aéreo e o fluxo de tráfego do aeroporto atual e Santa Lucía.

"Consideramos que as condições necessárias para que esta consulta seja considerar um exercício imparcial e objetivo não existem", afirmou a câmara de comércio CCE em comunicado publicado no domingo. "A escolha é clara: usar menos recursos agora e gastar mais muito em breve; ou realizar um investimento de longo prazo em prol de nosso desenvolvimento."

Repórteres da matéria original: Daniela Guzman em N York, dguzman26@bloomberg.net;Andrea Navarro em Cidade do México, anavarro30@bloomberg.net