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Rali de 400% da Forjas Taurus perde força após eleição

George Frey/ Reuters
Imagem: George Frey/ Reuters

Vinícius Andrade e Ney Hayashi

31/10/2018 11h32

Toda a euforia em torno da ação mais quente do Brasil parece estar enfraquecendo --e rapidamente.

Nos últimos meses, a Forjas Taurus (FJTA3FJTA4) viu suas ações dispararem à medida que Jair Bolsonaro subia nas pesquisas eleitorais. A promessa do político de direita de facilitar o acesso a armas no país impulsionou o otimismo dos investidores com a empresa sediada em São Leopoldo (RS). O valor de mercado da Forjas Taurus mais do que quadruplicou, e as ações acumularam alta de 412% até o dia 22 de outubro, com aumento no volume de negócios.

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Agora, esse movimento está enfrentando um choque de realidade. Desde que Bolsonaro selou sua vitória nas urnas, as ações da Forjas Taurus caíram 55%.

"Houve um exagero", disse Glauco Legat, analista-chefe da corretora Spinellli. "Quando você olha a situação da empresa, em termos financeiros, você não consegue fazer uma análise muito otimista. A situação da empresa é crítica, mesmo considerando toda aquela perspectiva de mudança na lei de desarmamento, de posse de arma", disse Legat.

Desde 2013, a Forjas Taurus registrou prejuízos líquidos, que atingiram um recorde de R$ 286 milhões no ano passado. De acordo com o Bloomberg Default Risk Model, o risco de possuir dívida de Forjas Taurus aumentou.

"Mesmo que consideremos que os fundamentos da empresa possam melhorar, não consigo ver nada para justificar o que aconteceu", disse Wagner Salaverry, sócio-gestor da Quantitas Gestão de Recursos. "A companhia está bastante endividada, vários acionistas importantes --inclusive participantes do bloco de controle-- reduziram participação. É mais uma sinalização de que o preço aumentou muito rapidamente, com dissociação da realidade financeira da empresa", disse Salaverry. A empresa tem R$ 799 milhões em dívidas totais.

No último mês, a acionista controladora Tauruspar Participações e outros acionistas reduziram ou venderam sua participação na empresa. No início de outubro, a companhia também anunciou em um comunicado ao mercado a emissão de 74 milhões de bônus de subscrição.

"A empresa fez um movimento interessante de bônus de subscrição, para poder melhorar a situação da cia., mas que também não justifica o movimento", disse ele.

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