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Acesso do Google a histórico médico causa receio por privacidade

John Lauerman e Jeremy Kahn

21/11/2018 13h00

(Bloomberg) -- Três anos atrás, a empresa de inteligência artificial DeepMind embarcou em um empreendimento histórico com o objetivo de revolucionar os serviços de saúde no Reino Unido. Agora, os planos da proprietária Alphabet de associá-la ao Google, sua unidade de motor de busca, estão despertando receios em relação à privacidade.

Defensores da proteção de dados reclamaram quando a empresa voltou atrás em relação à promessa anterior de manter a DeepMind Health, que utiliza milhões de históricos médicos britânicos para monitorar e diagnosticar doenças, separada do Google. Neste mês, a Alphabet anunciou que planeja fusionar essas empresas.

O Google alega que continuará protegendo os dados dos pacientes, mas os críticos afirmam que o potencial de abuso é significativo: e se a empresa voltar atrás e vincular os históricos médicos com seu motor de busca e com o aplicativo Gmail, que abriga muitas informações sobre o dia a dia dos usuários? Isso representaria um risco enorme para a privacidade, afirmam, e poderia custar caro aos pacientes e provedores caso a empresa converta os dados em produtos com preços elevados.

"O Google transforma os dados dos pacientes em propriedade intelectual secreta, garantindo assim que o tratamento de futuros pacientes será muito, muito caro", disse Deborah Peel, chefe do Patient Privacy Rights, um grupo de defesa dos EUA. "As corporações são regidas pelos lucros, e o único objetivo do Google Health é lucrar."

Aplicativo Streams

O Google ajudará a levar os benefícios da DeepMind Health para mais pessoas em todo o mundo mais rapidamente do que ela poderia conseguir por conta própria, disse Dominic King, ex-cirurgião do Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido que atuou como principal médico da unidade e ajudou a desenvolver o aplicativo, chamado Streams, que monitora lesões renais graves. A DeepMind Health também está desenvolvendo sistemas para prever doenças oftalmológicas e risco de câncer de mama.

"Estou empolgado com que a visão que tínhamos para o Streams se torne uma realidade em escala", disse King, que vai se transferir para a nova unidade Google Health, por e-mail.

A DeepMind informou que só processa dados de pacientes a pedido dos hospitais com os quais trabalha e que todos os registros são mantidos em um centro que não é administrado pela Alphabet, onde ficam "o tempo todo separados de quaisquer outros dados". A fusão não modificaria essa disposição sem o consentimento dos hospitais. O Google afirmou que respalda a posição da DeepMind.

"No momento, estamos conversando com nossos parceiros do Serviço Nacional de Saúde para planejar a transição de nossos contratos e isso não pode ser realizado sem o consentimento de nossos parceiros", disse King.

As dúvidas sobre a parceria da DeepMind com o Serviço Nacional de Saúde remontam a 2016, quando os críticos questionaram se a empresa havia obtido o consentimento dos pacientes para usar os históricos deles em seus projetos de desenvolvimento. Na época, o cofundador da DeepMind, Mustafa Suleyman, disse que "em nenhum momento os dados dos pacientes serão vinculados ou associados a contas, produtos ou serviços do Google".

Repórteres da matéria original: John Lauerman em Londres, jlauerman@bloomberg.net;Jeremy Kahn em Londres, jkahn21@bloomberg.net