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Morgan Stanley teme pelos EUA e recomenda mercados emergentes

Christopher Anstey e Joanna Ossinger

26/11/2018 15h17

(Bloomberg) -- O Morgan Stanley prevê freada brusca da economia americana, alta da inflação global e política monetária intacta nos EUA no ano que vem. Para investidores, o melhor é se desfazer de investimentos em títulos corporativos, estocar dinheiro e apostar em mercados emergentes, segundo os estrategistas do banco.

"A fase de pessimismo que praticamente se concluiu nos mercados emergentes ainda tem espaço para avançar no mercado de crédito dos EUA e está prestes a começar para o dólar", escreveu a equipe de estrategistas, liderada por Andrew Sheets, em nota divulgada no domingo. Segundo eles, as ações focadas em valor devem superar as ações voltadas para crescimento, os rendimentos dos títulos do Tesouro americano devem convergir com as taxas dos títulos da zona do euro e o aumento da inadimplência vai intensificar a pressão sobre as dívidas corporativas com classificação BBB.

Uma grande mudança seria o fim do período de desempenho superior da economia americana. A previsão é que a taxa anual de crescimento nos EUA fique em apenas 1 por cento no terceiro trimestre do ano que vem. Para o Morgan Stanley, bolsas de outros países irão melhor que as bolsas dos EUA.Com menor crescimento econômico e piora dos lucros das empresas, os instrumentos corporativos alavancados serão os mais atingidos, segundo os estrategistas. Eles recomendam alocação 5 por cento menor em instrumentos de crédito em relação às referências desse mercado. Geograficamente, os estrategistas enxergam potencial para os ativos da Ásia pararem de cair em 2019, o que seria um dos poucos pontos positivos da perspectiva futura.

A desaceleração da economia americana e a consequente pausa no processo de aperto monetário em 2019 proporcionariam alívio aos mercados emergentes, que neste ano são pressionados pela valorização do dólar e pelos rendimentos dos títulos do Tesouro americano. O MSCI Emerging Market Index ficou atrás do índice correspondente para países desenvolvidos durante a maior parte de 2018, embora essa tendência tenha começado a se reverter.

A equipe de estrategistas concedeu "upgrade duplo" às ações de mercados emergentes de underweight para overweight, enquanto a recomendação para as bolsas dos EUA foi rebaixada para underweight. A China recebeu recomendação equalweight, mas isso pode mudar dependendo do andamento da guerra comercial e do programa de incentivo econômico, de acordo com o Morgan Stanley.

No mercado de commodities, o banco prevê que o barril do tipo Brent voltará à casa de US$ 80 até o fim de 2019 - ainda abaixo das máximas atingidas no mês passado --, mas reconhece que "muito depende" da reunião da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), em dezembro.

O relatório alertou que uma pausa no aperto monetário nos EUA não trará muito alívio aos mercados nos EUA porque a alta da inflação limitaria o espaço do banco central (Federal Reserve) para grandes mudanças neste sentido.

"Um grande desafio para os ativos dos EUA no ano que vem é que crescimento melhor que o esperado simplesmente significaria mais aperto pelo Fed, enquanto o crescimento abaixo do esperado aumentaria o risco de desaceleração, com escopo limitado para apoio oficial", escreveu a equipe. "É uma grande mudança em relação aos últimos 10 anos ? tanto as boas quanto as más notícias geram problemas para os mercados americanos."

Repórteres da matéria original: Christopher Anstey em Tóquio, canstey@bloomberg.net;Joanna Ossinger em N York, jossinger@bloomberg.net