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As misteriosas finanças do maior apoiador da campanha do Brexit

Tom Metcalf e Stephanie Baker

25/02/2019 16h06

(Bloomberg) -- Desde que fez a maior contribuição política da história do Reino Unido, o apoiador do Brexit Arron Banks vem sendo perseguido por perguntas a respeito de onde conseguiu o dinheiro.

Para um homem que disse ao Financial Times que tinha 100 milhões de libras (US$ 130 milhões) em 2015 e que chegou à Sunday Times Rich List dois anos depois com 250 milhões de libras, o aporte de 8 milhões de libras não é necessariamente impressionante. Mas será que Banks -- alvo de uma investigação criminal sobre o financiamento da campanha a favor da saída da União Europeia -- é realmente tão rico assim?

Uma análise do Bloomberg Billionaires Index estimou o patrimônio líquido dele em 25 milhões de libras a partir do que pode ser compilado publicamente. O valor engloba 34 milhões de libras em ativos em seguros, serviços financeiros e produção de diamantes. O número líquido deduz o aporte ao Leave.eu, o grupo pró-Brexit que ele ajudou a fundar.

Alguns de seus ativos estão em dezenas de empresas estrangeiras de capital fechado, o que dificulta qualquer contabilidade real de seu patrimônio líquido. Quando detalhes de ativos de capital fechado não podem ser verificados, eles não são incluídos nos cálculos da Bloomberg, por isso sua fortuna pode ser maior.

Banks afirma que o valor corporativo de seus ativos de seguros foi calculado em cerca de 200 milhões de libras em avaliação realizada pela firma de contabilidade BDO em 2017. Ele não permitiu que a Bloomberg revisasse o relatório, nem revelou quanto desse montante são dívidas, o que reduziria o valor patrimonial de sua participação.

Ele disse que a análise da Bloomberg é "falha em quase todos os aspectos" e preferiu não fornecer mais nenhuma informação, dizendo não ver razão para distribuir informações privadas.

Com o Reino Unido atolado em uma turbulência política e a proximidade do fim do prazo do Brexit, em 29 de março, a decisão da Agência Nacional Anticrime (NCA, na sigla em inglês) de investigar Banks e o aporte dele à campanha do referendo poderia gerar uma nova reviravolta na saga. De fato, dependendo do desenrolar da situação, o Reino Unido tem uma pequena chance de repetir o referendo tão influenciado pelo dinheiro de Banks.

A NCA investiga se Banks, 52, foi a verdadeira fonte dos recursos da campanha do Brexit e se o dinheiro era permitido segundo as regras eleitorais. A agência tem poder de investigação para eliminar o véu de sigilo que cobre as finanças de Banks. Integrantes do parlamento do Reino Unido, enquanto isso, têm feito perguntas a respeito dos encontros dele com autoridades russas. Banks rejeita essas conexões e afirma que fez a doação usando recursos pessoais ou de suas empresas britânicas seguindo a lei.

Quando Rebecca Pow, do Partido Conservador, o do governo, observou que o emaranhado de empresas de Banks equivalia a "arranjos tortuosos e complicados" que deixaram muita gente com a impressão de que ele tinha algo a esconder, Banks retrucou: "Gosto de pensar que sou um gênio do mal com um gato branco que controla toda a democracia ocidental, mas é claro que isso é um absurdo."