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Mineradora diz não esperar substituição de paládio por platina

Caleb Mutua

12/03/2019 11h43

(Bloomberg) -- A maior produtora especializada em paládio da América do Norte tem mais uma má notícia para quem aposta na platina: esqueçam, o paládio não será deixado de lado tão cedo pelos carros movidos a gasolina.

As propriedades químicas exclusivas do paládio o tornam uma escolha melhor do que a platina para uso em dispositivos de controle de poluição de veículos, disse Jim Gallagher, CEO da North American Palladium, em entrevista. Isso desencoraja as montadoras a efetuarem a troca, mesmo que o preço de sua commodity preferida amplie o rali recorde.

"Não espero nenhuma substituição significativa", disse Gallagher. "Tecnicamente, a platina não funciona tão bem quanto o paládio na temperatura e no ambiente químico de um conversor catalítico moderno." As produtoras de platina não têm capacidade suficiente para atender a demanda adicional das montadoras que possam vir a substituir o paládio, disse.

O preço do paládio subiu 22 por cento neste ano no mercado à vista, maior rali entre os metais preciosos mais ativamente negociados, em meio a uma enorme disputa por oferta. O déficit aumentou com o crescimento da demanda por veículos movidos a gasolina na Europa depois que o escândalo das emissões envolvendo a Volkswagen desencorajou os motoristas a comprarem carros movidos a diesel.

Desde abril, o paládio tem permanecido acima do custo da platina, que está atolada em um pequeno excedente.

A produção de paládio será 545.000 onças inferior ao consumo neste ano, informou o Citigroup em projeção, em dezembro. O banco prevê superávit de 436.000 onças para a platina.

"Temos visto evidências de que as empresas automotivas estão avaliando e examinando como podem substituir o paládio pela platina, mas não vimos nenhuma evidência de mudança até o momento", disse Nikos Kavalis, diretor da empresa de pesquisa Metals Focus, com sede em Londres, em entrevista por telefone. "Minha intuição diz que a substituição vai demorar dois a três anos para chegar ao mercado."

A escassez estimulou um forte mercado de empréstimos, incentivando os investidores a retirar o metal dos fundos negociados em bolsa e a oferecê-lo para locação aos consumidores. Nos últimos 12 meses, os ativos nesses fundos encolheram 32 por cento e estão perto do nível mais baixo em uma década.

Normas mais recentes e rigorosas para redução das emissões em veículos a gasolina estão obrigando as fabricantes de veículos a ampliar as compras de paládio, estimulando um rápido aumento da demanda mesmo em meio à queda nas vendas de automóveis na China, na Europa e na América do Norte.

"Embora teoricamente seja possível reduzir os custos substituindo o paládio pela platina, até o momento há apenas evidências limitadas de que as montadoras podem estar preparadas para assumir o risco", escreveu Alison Cowley, da Johnson Matthey, em relatório, em fevereiro. Esse é o caso "mesmo no Japão, onde algumas fabricantes de veículos têm experiência recente com o uso de formulações de catalisadores contendo platina".

--Com a colaboração de Marvin G. Perez.