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Financiamentos de jatos podem ampliar prejuízo da Boeing com Max

Kriti Gupta

19/03/2019 14h14

(Bloomberg) -- Os problemas do Boeing 737 Max podem fazer com que a fabricante de aeronaves seja responsabilizada por aviões agrupados em dívidas, aumentando os custos totais que a empresa pode ter de pagar após o acidente da Ethiopian Airlines.

Os clientes da empresa podem exigir que a Boeing os compense pelo financiamento pendente de suas aeronaves Max se os jatos não forem considerados seguros para voar, segundo o Deutsche Bank. Isso pode gerar problemas depois que órgãos reguladores do mundo inteiro suspenderam voos do avião na semana passada. Várias empresas aéreas reuniram seus aviões em instrumentos de dívida conhecidos como EETC (enhanced equipment trust certificates), comuns no setor.

"Acreditamos que todas as empresas aéreas afetadas por suspensões de operação de aeronaves pedirão ressarcimento à Boeing e avaliamos que o custo começará em cerca de US$ 100 milhões por mês e aumentará US$ 12 milhões por mês posteriormente", disse George Ferguson, analista da Bloomberg Intelligence. "Nós vemos os EETCs como parte desse ressarcimento já que as empresas aéreas que os têm pendentes pedirão ressarcimento independentemente de as aeronaves estarem incluídas em EETCs."

Há 37 aeronaves 737 Max incluídas em cinco acordos EETC pendentes, informou o Deutsche Bank. Essas transações são lastreadas por um amplo leque de aviões e totalizam US$ 3,8 bilhões, segundo dados compilados pela Bloomberg.

Qualquer custo ligado a EETCs para a Boeing se somaria a outros impactos financeiros associados à suspensão da operação do avião. O fluxo de caixa da empresa pode ser afetado em US$ 3,7 bilhões neste ano, segundo o Credit Suisse Group, ou em cerca de um quarto da projeção de fluxo de caixa do banco.

Os investidores, no entanto, podem não ter com que se preocupar. "A estrutura do EETC oferece tanto proteções de crédito quanto proteção contra par call devido ao fato de a aeronave estar fora de serviço por um período prolongado", escreveu Douglas Runte, analista do Deutsche Bank, em relatório. Os pagamentos sobre o EETC são obrigados por contrato a continuar.

Não há aeronaves 737 Max em nenhuma transação pendente de títulos lastreados por ativos de aeronaves, outro tipo de dívida securitizada usada no financiamento de aviões.

"Não acreditamos que o Max venha a ter um efeito importante sobre os locadores de aeronaves classificados pela Fitch", informou a Fitch em comunicado divulgado na semana passada. O Boeing 737 Max, no entanto, pode continuar sendo uma preocupação no setor de crédito para aviação durante boa parte de 2019, segundo a Fitch.

--Com a colaboração de Adam Tempkin.