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Criadores do Woodstock querem exportar festival a outros países

Ross Kenneth Urken

24/04/2019 16h35

(Bloomberg) -- Foi o verão do amor, não do lucro. Em 1969, Michael Lang, 74 anos, e seus sócios na Woodstock Ventures tiveram uma perda de US$ 1,3 milhão no festival original de Woodstock. "O dinheiro não era minha motivação", disse durante uma recente entrevista no centro de Woodstock, em Nova York. "Estava tão emocionado com o que tinha acontecido. Porque foi o que imaginamos. Só esteroides. E ácido".

Hoje, no entanto, Lang é um homem de negócios mais esperto. Enquanto Woodstock se aproxima do seu 50º aniversário, com um festival de três dias marcado para agosto em Watkins Glen, em Nova York, Lang também planeja uma expansão global com financiamento e assistência de marketing da Dentsu Aegis Network, uma subsidiária do gigante da publicidade japonesa Dentsu. O novo Woodstock será realizado em um país diferente a cada ano, e Lang diz que já conversou com o Japão, o Brasil e a Espanha.

"Meu plano não era começar um festival anual de Woodstock. Há festivais suficientes", disse Lang. Mas, a venda de tais eventos é um grande negócio. O Coachella faturou mais de US$ 100 milhões pela primeira vez em 2017, segundo o Billboard Boxscore e o Desert Trip de 2016 arrecadou US$ 160 milhões em dois finais de semana.

O novo festival contará com uma área "Goodstock" onde os participantes podem interagir com a organização, como o grupo de controle de armas March for Our Lives, o registro de eleitores sem fins lucrativos Head Count e a organização ambiental Conservation International.

Embora a venda da contracultura de Woodstock sempre tenha sido parte do complexo industrial hippie, alguns não gostam tanto da ideia e adotam uma visão mais cínica.

George Howard, professor associado de negócios e administração de música na Berklee College of Music, dá mais crédito ao primeiro evento. "O Woodstock original foi um evento muito orientado para um propósito", disse ele. "Os eventos subsequentes tentaram produzir esse propósito".

Mas nem tudo tem sido fácil bem para o novo festival. Confirmar alguns talentos tem sido complicado. Lang tentou trazer Bruno Mars para fazer um tributo a Sly, mas o artista não estava disponível. E sua tentativa de convencer Lady Gaga não teve sucesso depois do enorme sucesso de "Nasce uma Estrela". Ele conseguiu Jay-Z e Miley Cyrus junto com astros do Woodstock original, como Carlos Santana. Lang disse que os ingressos vão custar em torno de US$ 450 e foram originalmente colocados à venda na segunda-feira, 22 de abril.

Há também um concorrente digno. O Centro de Artes Bethel Woods, situado nos terrenos originais do festival, tem uma programação de aniversário com Ringo Starr e Santana. Lang culpou a Live Nation por apresentar o show do Bethel Woods como um evento rival, e diz que enviou uma carta de desistência aos organizadores.

"Como guardiões do local histórico do festival de Woodstock de 1969, planejamos eventos comemorativos há mais de dois anos, dos quais a Woodstock Ventures está ciente", disse Darlene Fedun, presidente do Bethel Woods. Ela negou ter recebido uma carta de desistência para o Woodstock 50.

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