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General aposta em setor imobiliário com fortuna do petróleo

Ben Stupples e Devon Pendleton

26/06/2019 15h49

(Bloomberg) -- O Kings Arms Hotel é uma propriedade de 300 anos localizada ao lado do Palácio de Hampton Court, em Londres, que foi residência de Henrique VIII. O hotel será inaugurado logo após a reforma, com um preço de 250 libras (US$ 318) por noite. Os hóspedes podem saborear pratos tradicionais no restaurante Six, uma referência às muitas esposas do monarca, ou tomar uma cerveja no terraço.

Nesse cenário que não poderia ser mais inglês, faz sentido que o proprietário seja um militar aposentado ainda chamado de "General". Mas, para Theophilus Danjuma, o hotel é apenas mais um investimento em uma rede de ativos espalhados em três continentes. O nigeriano de 80 anos tem uma fortuna avaliada em US$ 1,2 bilhão, segundo o Índice de Bilionários Bloomberg. Seu family office administra uma parte desse patrimônio, muitas vezes com investimentos discretos, como o hotel de 14 quartos.

"Nunca buscamos ativos de alta demanda", disse a filha Hannatu Gentles, a segunda dos cinco filhos de Danjuma e diretora de operações do family office, com sede em Londres. "Não vamos à Mayfair para comprar um apartamento de 15 milhões de libras, principalmente porque somos um negócio de retorno."

O novo empreendimento de Danjuma está muito distante da guerra civil e dos campos petróleo em águas profundas, as esferas onde acumulou poder e fortuna. Em 2006, a South Atlantic Petroleum, controlada por Danjuma, vendeu quase metade de seus direitos de exploração de uma área na costa da Nigéria para uma estatal chinesa por US$ 1,8 bilhão. Danjuma ganhou os direitos do bloco em 1998 do regime do ex-ditador e oficial do exército Sani Abacha. Danjuma foi um dos poucos nigerianos que ficaram extraordinariamente ricos com as reservas de energia do país.

"Basicamente, essas pessoas ganharam bilhetes de loteria", disse Antony Goldman, fundador da ProMedia Consulting, especializada em África Ocidental. "Na época, você tinha um governo desesperado por credibilidade que estava isolado internacionalmente". Danjuma não era "realmente um político, respeitado nos negócios e no exército."

Danjuma nasceu em 1938, ano em que a Royal Dutch Shell recebeu sua primeira licença de exploração de petróleo no país e mais de duas décadas antes de declarar independência da Grã-Bretanha. Danjuma abandonou a faculdade em 1960 e entrou para o exército, segundo o livro com ""Nigerian Politics in the Age of Yar'Adua" (política nigeriana na era de Yar'Adua), de Bayode Ogunmupe. Ganhou proeminência depois de participar do contragolpe de 1966 contra o primeiro ditador militar da Nigéria.

Uma década depois, saía de um Rolls-Royce no centro de Londres para se encontrar com oficiais militares britânicos como chefe de gabinete do exército da Nigéria. Deixou o exército em 1979 e fundou sua petrolífera e empresa de navegação, a NAL-Comet, que agora emprega 2 mil pessoas na Nigéria. Danjuma pagou US$ 25 milhões em 1998 pela licença de exploração do campo de petróleo que o tornou bilionário. Um ano depois, foi nomeado ministro de Defesa da Nigéria com a volta da democracia.

No início, Danjuma fez uma parceria com a Total e com a Petrobras no bloco. A participação minoritária atual da empresa de Danjuma está avaliada em US$ 450 milhões, segundo dados da Bloomberg.

Além do Reino Unido, a família possui imóveis na Califórnia e já vendeu e comprou propriedades em Cingapura. O family office também tem investimentos em private equity, fundos fiduciários e um braço de capital de risco que financia estúdios de cinema e empresas de arte familiares. A família Danjuma possui mais de 30 propriedades em todo o mundo, segundo arquivos.

--Com a colaboração de Elisha Bala-Gbogbo, Anthony Osae-Brown, Karl Maier e Paul Wallace.

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