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Cargill reavalia negócios sob impacto de guerra comercial

Isis Almeida, Mario Parker e Andy Hoffman

26/07/2019 09h44

(Bloomberg) -- A Cargill, gigante do agronegócio, prepara uma reestruturação dos negócios em meio à guerra comercial de Donald Trump contra a China, que dificulta a navegação por mercados agrícolas imprevisíveis.

A maior companhia de capital fechado dos Estados Unidos está reavaliando seus planos devido a obstáculos operacionais e a uma desaceleração do lucro, disse a empresa em resposta por e-mail às perguntas da Bloomberg na quinta-feira. A empresa de Minneapolis tem como foco o corte de custos, e dois executivos do alto escalão já deixaram a empresa, segundo pessoas a par do assunto.

Traders de commodities agrícolas estão com mais dificuldade para obter lucro, já que anos de supersafras reduziram preços e diminuíram a volatilidade. A disputa acirrada entre Washington e Pequim aumentou os desafios. Segundo a Cargill, os lucros do quarto trimestre fiscal com originação e processamento foram afetados pela "profunda incerteza" causada pela disputa comercial.

"Devido aos ventos contrários em nosso ambiente operacional e a uma desaceleração do lucro nos meses finais de nosso último ano fiscal, estamos revisando nossos planos de negócios para garantir que os recursos estejam alinhados com nossas prioridades", disse a Cargill. "As funções podem ser afetadas como parte do curso normal dos negócios."

No início deste mês, a Cargill divulgou a maior baixa do lucro trimestral em quatro anos, sob o impacto da disputa comercial, clima desfavorável no Meio-Oeste dos EUA e menor demanda por alimentos na China devido à disseminação da peste suína africana, um vírus que mata a maioria dos porcos infectados no prazo de 10 dias.

A reestruturação já levou à saída de Mark Stonacek, diretor financeiro da cadeia de fornecimento agrícola da Cargill, e de Tom Erickson, vice-presidente de conformidade dos mercados de commodities, disseram as pessoas, que não quiseram ser identificadas. As renúncias seguem o anúncio surpresa no início do ano de que GJ van den Akker, chefe da cadeia de fornecimento agrícola da Cargill, iria se aposentar e ser substituído por Joe Stone.

A Cargill não está sozinha na reestruturação de negócios e corte de custos. A Archer-Daniels-Midland, a letra 'A' do famoso quarteto de empresas de commodities agrícolas conhecido como ABCD, também passa por uma transformação para se concentrar mais em nutrição animal e reduzir custos.

A Bunge avalia se desfazer de alguns negócios, tendo recentemente anunciado uma joint venture com a petrolífera britânica BP, enquanto a Louis Dreyfus trocou seus principais operadores. A Marubeni disse esta semana que a unidade Columbia Grain Trading, dos EUA, suspendeu todas as novas vendas de soja para clientes chineses.

A Cargill disse no e-mail que não havia iniciado uma redução da força de trabalho. A empresa, que foi a primeira do grupo ABCD a se reestruturar há alguns anos, agora se beneficia de melhores lucros com proteína animal e está em terceiro lugar entre os maiores produtores de carne bovina dos EUA, depois da JBS e da Tyson Foods.

"Continuamos totalmente comprometidos com nossa estratégia de levar o melhor da Cargill aos nossos clientes e avançar mais rapidamente para entregar o que é mais importante a eles", afirmou. "Continuamos a contratar e adicionar novos recursos para impulsionar nossas futuras iniciativas de crescimento."

Repórteres da matéria original: Isis Almeida em Londres, ialmeida3@bloomberg.net;Mario Parker em Chicago, mparker22@bloomberg.net;Andy Hoffman em Genebra, ahoffman31@bloomberg.net