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CEO de mineradora colombiana alerta para fim da era do carvão

Matthew Bristow

09/08/2019 13h01

(Bloomberg) -- Muitos presidentes traçam um cenário otimista quando falam sobre as perspectivas de suas empresas. Não é o caso de Guillermo Fonseca.

O CEO da gigante colombiana de carvão Cerrejon - controlada pela BHP, Glencore e Anglo American - não pega leve em nada. O setor, diz ele, está em declínio terminal, e a empresa sente o impacto. Os preços estão em queda, uma seca prejudicou as operações e sua mina está do lado errado do canal do Panamá.

"O grande impacto que previmos que levaria o mercado a desaparecer, sempre foi visto no futuro", disse Fonseca durante entrevista em Bogotá. "Bem, o futuro é agora."

Embora a demanda por carvão continue forte na Ásia, está mais fraca na América do Norte e na Europa, já que geradores de energia se voltam cada vez mais para o gás natural, mais barato e mais limpo, e para a energia eólica e solar. O quadro é particularmente difícil para a Cerrejon, que vende grande parte de seu carvão para a Europa. Fonseca estima que a demanda de alguns países no mercado Atlântico possa cair outros 50% a 60% nos próximos cinco a sete anos.

A perspectiva pessimista de Fonseca não é um bom presságio para a Colômbia. O carvão é o produto mais exportado pelo país depois do petróleo, e a Cerrejon opera uma de suas maiores minas, uma operação a céu aberto próxima à costa caribenha. Fonseca diz ao governo, sindicatos e comunidades locais que a Colômbia tem uma janela limitada de oportunidades para aproveitar ao máximo seus vastos recursos de carvão enquanto ainda há compradores.

Enquanto isso, a BHP contratou o JPMorgan Chase para buscar um comprador para sua participação na mina Cerrejon, como parte de seu plano para sair do negócio de carvão térmico, de acordo com pessoas a par do assunto.

A Cerrejon deve produzir entre 26 e 27 milhões de toneladas de carvão este ano, disse Fonseca. O volume está abaixo da meta da empresa de 30 milhões de toneladas, disse, o menor nível em mais de uma década. O tempo seco forçou a empresa a suspender a produção em algumas das minas para evitar a violação dos regulamentos de qualidade do ar.

Fonseca pode não ter muitos motivos para enviar mensagens otimistas. Sua empresa não tem ações ou títulos negociados, e a Cerrejon tem negociações sindicais previstas para o fim do ano.

O lado mais positivo para o carvão está na Ásia, onde a China e a Índia ainda estão constroem usinas a carvão. Mas não é uma região fácil para a Cerrejon atender. Por um lado, os custos de envio da Colômbia dificultam a competição com minas na Austrália e na Indonésia. Além disso, a mina da Cerrejon fica perto da costa do Caribe. Assim, os navios precisariam atravessar o Canal do Panamá ou o Cabo Horn.

Consequentemente, a Cerrejon planeja se concentrar no Atlântico o máximo que puder.

Para contatar a editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net

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