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Apple e Foxconn violam lei trabalhista na China, diz relatório

Mark Gurman

09/09/2019 11h44

(Bloomberg) -- A Apple e sua fornecedora Foxconn violaram uma regra trabalhista da China ao empregar muitos funcionários temporários na maior fábrica de iPhones do mundo. As empresas confirmaram a informação de um relatório que também alegou a existência de condições de trabalho precárias.

As denúncias foram feitas pela China Labor Watch, que divulgou o relatório antes do evento de apresentação dos novos iPhones na terça-feira. O grupo de defesa sem fins lucrativos monitora as condições de trabalho nas fábricas chinesas e diz que descobriu outras supostas violações de direitos trabalhistas de parceiros da Apple no passado.

Em seu mais recente relatório, a CLW disse que investigadores disfarçados trabalharam na fábrica da Foxconn em Zhengzhou, na China, incluindo um que trabalhou na unidade por quatro anos. Uma das principais conclusões: funcionários temporários representavam cerca de 50% da força de trabalho em agosto. A legislação trabalhista chinesa estipula um máximo de 10% do total, observou a CLW.

A Apple disse que, após conduzir uma investigação, descobriu que a porcentagem de trabalhadores temporários "excedeu nossos padrões" e que está "trabalhando em estreita colaboração com a Foxconn para resolver esse problema". A empresa acrescentou que, quando encontra problemas, trabalha com fornecedores para "tomar medidas corretivas imediatas". A Foxconn Technology também confirmou a violação sobre empregados temporários após uma revisão operacional.

A cadeia de fornecimento da Apple enfrenta críticas pelos direitos precários há anos, e a empresa pressionou parceiros de fabricação para melhorarem as condições de trabalho ou correrem o risco de perder os contratos. No entanto, fornecedores estão sempre tentando produzir mais aparelhos. A Foxconn, oficialmente conhecida como Hon Hai Precision Industry, contrata dezenas de milhares de trabalhadores temporários para aumentar a produção e atender à demanda por iPhones durante as vendas de fim de ano.

"Nossas descobertas recentes sobre as condições de trabalho na Foxconn em Zhengzhou destacam várias questões que violam o código de conduta da Apple", escreveu a CLW no relatório. "A Apple tem a responsabilidade e capacidade de fazer melhorias fundamentais nas condições de trabalho ao longo de sua cadeia de fornecimento. No entanto, a Apple está transferindo custos da guerra comercial por meio de seus fornecedores para trabalhadores e lucrando com a exploração dos funcionários chineses."

Embora o relatório diga que 55% dos funcionários da fábrica eram temporários em 2018 e cerca de 50% em agosto, o número incluía estagiários. Como muitos desses estudantes voltaram à escola no fim de agosto, a parcela está agora perto de 30%, o que ainda é uma violação das normas, de acordo com a CLW.

"Acreditamos que todos em nossa cadeia de fornecimento devem ser tratados com dignidade e respeito", afirmou a Apple em comunicado. "Para garantir que nossos altos padrões sejam respeitados, temos sistemas de gerenciamento robustos em vigor, começando com treinamento em direitos no local de trabalho, entrevistas com trabalhadores no local, canais de reclamações anônimas e auditorias em andamento."

--Com a colaboração de Debby Wu.

Para contatar a editora responsável por esta notícia: Daniela Milanese, dmilanese@bloomberg.net