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Shell define meta mais ambiciosa para emissões mesmo em pandemia

Laura Hurst e James Herron

16/04/2020 08h52

(Bloomberg) -- A Royal Dutch Shell planeja eliminar todas emissões líquidas de suas próprias operações e a maior parte dos gases de efeito estufa dos combustíveis vendidos aos clientes até 2050.

A gigante de energia segue os passos das rivais BP e Repsol, que já estabeleceram metas semelhantes. A decisão da Shell indica que, apesar da turbulência causada pelo coronavírus no setor, as maiores empresas de petróleo e gás não abandonaram planos de transição para uma energia mais limpa.

"As expectativas da sociedade mudaram rapidamente no debate sobre as mudanças climáticas. A Shell agora precisa ir além com nossas próprias ambições", disse o CEO Ben van Beurden em comunicado na quinta-feira. "Mesmo neste momento de desafio imediato, também devemos manter o foco no longo prazo."

A Shell pretende zerar as emissões líquidas de suas próprias operações, uma categoria conhecida como escopo um e dois, até 2050. Também pretende reduzir a pegada de carbono de produtos de energia que vende aos clientes, as chamadas emissões do escopo três, em cerca de 30% até 2035 e de 65% até 2050. Para isso, a empresa venderá produtos com menor intensidade de carbono, como energia renovável, biocombustíveis e hidrogênio.

Pressão de investidores

Embora grandes petroleiras sempre tenham sido alvo de grupos ambientalistas e ativistas, o setor é cada vez mais pressionado por seus próprios investidores a combater emissões. Na quarta-feira, um grupo de 11 gestores de ativos pediu à francesa Total a adoção de metas climáticas mais rigorosas durante a assembleia geral.

O anúncio da Shell segue o alerta da Agência Internacional de Energia, que na quarta-feira disse que a atual pandemia e o resultante colapso do preço do petróleo ameaçam atrasar os planos de transição energética de grandes empresas. Mas alguns executivos, como o CEO da BP, Bernard Looney, prometeram avançar.

As medidas da Shell em meio à crise do vírus "sinalizam tanto seu foco contínuo no outro desafio sistêmico que enfrentamos no clima quanto uma indicação bem-vinda de sua confiança além da crise atual", disse Adam Matthews, diretor de ética e engajamento do Church of England Pensions Board, em e-mail.

©2020 Bloomberg L.P.