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EUA receberão potencial vacina da Sanofi primeiro, diz CEO

James Paton, Riley Griffin e Cynthia Koons

13/05/2020 12h14

(Bloomberg) -- Os Estados Unidos devem receber a vacina da Sanofi contra o Covid-19 antes de outros países, caso a gigante farmacêutica francesa seja bem-sucedida e consiga colocar o produto no mercado.

Isso porque os EUA foram os primeiros na fila a financiar a pesquisa de vacinas da Sanofi, disse o diretor-presidente Paul Hudson, em entrevista à Bloomberg News. Ele alertou que a Europa corre o risco de ficar para trás, a menos que intensifique as medidas para buscar proteção contra a pandemia que matou mais de 290 mil pessoas no mundo todo.

"O governo dos EUA tem direito à maior pré-encomenda, porque investiu em assumir o risco", disse Hudson. Os EUA, que ampliaram uma parceria de vacinas com a empresa em fevereiro, esperam "que, se ajudamos a fabricar as doses sob risco, esperamos recebê-las primeiro".

A Sanofi é uma das maiores farmacêuticas entre as dezenas de empresas que buscam a vacina necessária para reiniciar as economias após a crise econômica causada pelos confinamentos. A empresa fechou uma parceria com a rival britânica GlaxoSmithKline para o projeto apoiado pelos EUA e diz que poderia fabricar 600 milhões de doses anualmente, capacidade que Hudson pretende dobrar.

Sensibilização

"Venho fazendo campanha na Europa para dizer que os EUA receberão vacinas primeiro", disse Hudson em entrevista por vídeo de sua casa em Paris. "Será assim porque investiram para tentar proteger a população, para reiniciar a economia."

Enquanto presidente francês Emmanuel Macron e a chanceler alemã Angela Merkel lideram uma campanha de US$ 8 bilhões para apoiar a distribuição equitativa, outros líderes propuseram uma hierarquia baseada no apoio nacional à pesquisa. Doses de uma vacina experimental da Universidade de Oxford serão priorizadas para o Reino Unido, de acordo com Pascal Soriot, CEO da AstraZeneca, que fabricará a vacina.

"É importante ter algumas dessas discussões agora", disse Katherine Bliss, pesquisadora sênior do centro global de políticas de saúde do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, para evitar a ameaça de "nacionalismo de vacinas".

Embora o financiamento da Autoridade Biomédica de Pesquisa e Desenvolvimento Avançado coloque os EUA em primeiro lugar, o país pode estar apenas dias ou semanas à frente de todos os outros, disse Hudson.

A empresa francesa negocia com governos europeus a possibilidade de fornecer vacinas contra o coronavírus, disse Hudson, britânico que assumiu o cargo de CEO em setembro. "Estamos recebendo telefonemas rotineiramente", disse, acrescentando que alguns países se ofereceram para compartilhar o risco financeiro de produzir uma vacina antes de se mostrar segura e eficaz.

Vacinas em 2021

Muitos projetos têm como objetivo fornecer vacinas em 2021. Algumas visam disponibilidade limitada para profissionais de saúde e outros grupos vulneráveis já a partir do outono no hemisfério norte.

Qualquer país que conseguir lançar uma vacina contra o coronavírus antes de todos no mercado provavelmente vai reivindicar a propriedade de parte do processo de distribuição, disse Krishna Kumar, economista sênior e diretor de pesquisa internacional do think tank RAND Corp.

"Não podemos nem negociar um com o outro sem entrar em questões de tarifas e assim por diante", disse. Quando se trata de uma vacina que salva vidas, "não será fácil propor arranjos".

©2020 Bloomberg L.P.