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Acordo entre UE e Mercosul aumentará o desmatamento, afirma o Greenpeace

Bruxelas, 6 dez (EFE).- O futuro tratado de livre-comércio entre a União Europeia (UE) e os países do Mercosul (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) aumentará o desmatamento em regiões sensíveis, como a Amazônia, pela expansão da pecuária e de certas plantações, alertou o Greenpeace, que nesta quarta-feira divulgou documentos secretos sobre essas negociações.

Os papéis vazados pelo escritório do Greenpeace na Holanda, que incluem 171 páginas, apresentam detalhes sobre algumas das propostas das partes e o impacto ambiental que significará o aumento das importações de carne e de grãos como a soja.

A organização ambiental afirma que três ecossistemas naturais serão especialmente ameaçados: as regiões da Amazônia, do Cerrado e do 'Gran Chaco', que inclui partes de Argentina, Bolívia, Brasil (Pantanal) e Paraguai.

O desmatamento provocará também um aumento das emissões de CO2, segundo o Greenpeace, que acusa a UE de falta de transparência e de não zelar pelo meio ambiente nas negociações do futuro acordo, que as partes pretendem fechar antes do fim deste ano.

Os vazamentos indicam que as importações para a UE de carne dos países do Mercosul poderiam aumentar entre 100% e 200%.

O pacto comercial permitirá que a UE compre mais carne dos países do Mercosul, "em tempos no qual o gado continua sendo o principal impulsor do desmatamento na Amazônia, e tem um tremendo impacto na destruição do Cerrado no Brasil, e do Chaco na Argentina e no Paraguai", afirmou a ONG ambientalista.

O Greenpeace disse hoje que teme que as importações em massa de carne do Mercosul também terão impacto nos ecossistemas de Portugal e Espanha.

"A Espanha é numerosa em hábitats rurais que convivem em equilíbrio com um tipo de criação de gado tradicional e sustentável, que poderia desaparecer, gerando disfunções no funcionamento dos ecossistemas", indicou em um comunicado o porta-voz do Greenpeace na Espanha, Miguel Ángel Soto.

Soto assegurou que muitos ecossistemas da Península Ibérica "dependem em grande medida da sobrevivência da criação extensiva de gado" e que a pecuária tem grande importância ecológica, "uma vez que contribui para manter o hábitat de espécies ameaçadas como a águia-imperial, o abutre-preto, a cegonha-preta e o lince-ibérico".

Quanto ao comércio de soja, as importações dos países do Mercosul à UE aumentarão de 1% a 3% com o acordo, segundo especialistas.

Além disso, os vazamentos indicam que existe uma proposta da UE para proibir os impostos à exportação, o que levaria a Argentina a eliminar as taxas sobre a exportação de soja e incentivaria os agricultores sul-americanos a plantar mais.

A UE e o Mercosul trocaram ontem novos documentos de ofertas de acesso aos mercados em plena rodada de negociações intensivas para tentarem fechar um acordo de associação antes do fim deste ano.

As ofertas sobre o acesso aos mercados de carne bovina e etanol figuram entre os "assuntos complicados" que ainda precisam ser solucionados.

Para Soto, até que as questões relativas à proteção ambiental sejam abordadas corretamente no conteúdo do acordo, "as negociações sobre o tratado não deveriam continuar avançando".

O principal produto que os países do Mercosul exportam à UE é a soja, outro motor de desmatamento, que representa 22% do valor das exportações. O grão é utilizado na UE para a alimentação de gado confinado e está presente no 67% das rações de engorda da produção. EFE

mb/rpr

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