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Infrações fiscais de Ghosn também englobaram últimos 3 anos, segundo imprensa

24/11/2018 06h40

Tóquio, 24 nov (EFE).- As irregularidades fiscais supostamente cometidas pelo executivo franco-brasileiro Carlos Ghosn, afastado do cargo de presidente da Nissan Motor nesta quinta-feira, também englobaram os últimos três anos, segundo informações coletadas neste sábado pela imprensa japonesa.

Ghosn, de 64 anos, teria diminuído o valor de seu salário em 8 bilhões de ienes (US$ 70 milhões) em relatórios ao regulador da bolsa de Tóquio entre 2010 e 2017, um período e quantia maior que os manuseados até o momento, segundo revelaram hoje fontes ligadas à investigação à agência local "Kyodo".

O executivo foi detido pelo Ministério Público de Tóquio nesta segunda-feira por reportar receitas menores que as reais entre 2010 e 2014, mas a equipe que investiga o caso suspeita que os lucros de Ghosn refletidos nos relatórios dos últimos três anos também teriam sido alterados, segundo antecipou o jornal japonês "Asahi".

O empresário franco-brasileiro teria feito com que sua remuneração parecesse menor para evitar as críticas dos acionistas da Nissan, de acordo com informação repassada à "Kyodo".

A promotoria da capital japonesa viu satisfeito o seu pedido de manter Ghosn detido até o 30 de novembro e ainda pode solicitar outro período de dez dias enquanto seguir investigando.

Segundo o "Asahi", os promotores estariam estudando apresentar outra ordem de detenção pela descoberta de novas vulnerações à legislação de instrumentos financeiros japonesa, que preveem penas de até 10 anos de prisão e multas de até 10 milhões de ienes (US$ 88,5 mil).

O crescente salário de Ghosn, o empresário estrangeiro melhor remunerado do Japão, começou a gerar críticas na empresa com sede em Yokohama desde que em 2010 se tornou obrigatório publicar a remuneração dos altos executivos no país asiático.

A Nissan evitou dar detalhes publicamente sobre as acusações contra Ghosn porque a investigação está em curso, mas esclareceu que as acusações surgiram de averiguações internas na companhia.

Os poucos detalhes divulgados publicamente na comunicação ao regulador da bolsa sustentam que "durante muitos anos" Ghosn e outro diretor da Nissan, Greg Kelly, também detido, reportaram às autoridades das bolsas de valores receitas menores que as reais.

No caso do ex-presidente da empresa, "foram constatados outros vários atos de más condutas", como o uso pessoal de bens da companhia, sem dar maiores explicações.