IPCA
0.19 Jul.2019
Topo

EUA classificam China como "manipuladora cambial" e ameaçam retaliar

05/08/2019 21h03

Washington, 5 ago (EFE).- O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos classificou nesta segunda-feira a China como país "manipulador cambial" e ameaçou retaliar o que chamou de "injustas" vantagens competitivas no Fundo Monetário Internacional (FMI).

Em comunicado, o Departamento informou que o secretário da pasta, Steven Mnuchin, "atuará com o FMI para eliminar as vantagens competitivas criadas pelas últimas ações da China".

O governo americano tomou essa medida depois que o Banco Popular da China (BPC, o banco central chinês) permitiu nesta segunda-feira uma forte desvalorização de sua divisa, o yuan, que agora está cotado a US$ 0,14, o que representa a ruptura de uma barreira psicológica para os investidores e algo que não ocorria desde 2008.

De acordo com o Departamento do Tesouro americano, "o propósito da desvalorização da moeda da China é obter vantagens competitivas injustas no comércio internacional".

Além disso, o Departamento considerou que o "padrão" de ações da China para desvalorizar sua moeda representa uma violação dos compromissos alcançados durante as reuniões de líderes do G20.

E, por último, o governo americano voltou a exigir que Pequim "melhore a transparência da taxa de câmbio e as operações e objetivos da gestão de reservas".

A decisão do Departamento do Tesouro acontece apenas horas depois que o presidente dos EUA, Donald Trump, acusou a China de "manipulação cambial" e pediu ao Federal Reserve (Fed, banco central) que tomasse medidas a respeito.

"A China deixou o preço de sua divisa cair para quase um mínimo histórico. Isso se chama 'manipulação cambial'. Você está ouvindo, Federal Reserve?", afirmou Trump em uma série de mensagens no Twitter.

A queda do yuan aconteceu depois que Trump afirmou na quinta-feira passada que imporia tarifas de 10% sobre US$ 300 bilhões em produtos chineses a partir de 1º de setembro, diante da falta de progresso nas negociações comerciais.

Pouco depois, o Ministério do Comércio chinês respondeu anunciando que tomaria "contramedidas".

Um yuan mais fraco significa que os produtos chineses denominados em dólares são mais baratos, algo que ajudaria a conter o efeito negativo das novas tarifas americanas sobre sua competitividade, embora o preço a pagar será um aumento do custo das importações. EFE

Mais Economia