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FMI escolhe a búlgara Kristalina Georgieva como nova diretora-gerente

25/09/2019 17h35

Alfonso Fernández.

Washington, 25 set (EFE).- A búlgara Kristalina Georgieva será a nova diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), após ter sido aprovada pela direção executiva da instituição nesta quarta-feira para suceder a francesa Christine Lagarde.

"O FMI é uma instituição única com uma grande história e uma equipe de nível mundial. Chego confiante para ajudar a garantir a estabilidade da economia global e do sistema financeiro através da cooperação internacional", afirmou Georgieva em comunicado.

Economista e socióloga de formação, Georgieva destacou que "é uma grande responsabilidade comandar o FMI em um momento em que o crescimento econômico continua decepcionando, as tensões comerciais persistem e a dívida está em níveis historicamente altos".

"A nossa prioridade imediata é ajudar os países a minimizarem o risco de crise e serem capazes de encarar desacelerações econômicas. Ao mesmo tempo, não deveríamos perder de vista p nosso objetivo a longo prazo: respaldar políticas monetárias, fiscais e estruturais saudáveis para construir economias mais fortes e melhorar a vida das pessoas", ressaltou.

A búlgara assumirá oficialmente o mandato, de cinco anos, no dia 1º de outubro. Ex vice-presidente da Comissão Europeia entre 2014 e 2016 e diretora executiva do Banco Mundial desde 2017, Georgieva foi a única candidata ao cargo no FMI, indicada pela União Europeia (UE).

Mesmo com a renúncia de Lagarde em julho, o FMI garantiu que o processo seletivo seria "aberto, baseado no mérito e transparente". A certeza é que a tradição foi mantida, e apenas a Europa apresentou uma candidata.

Além disso, o direção executiva do FMI eliminou um dos obstáculos a Georgieva, de 66 anos, ao retirar do estatudo o limite de idade de 65 anos para o ocupante do posto de diretor-gerente.

Aos longo dos 75 anos de história, a instituição sempre teve diretores europeus, o que rende questionamentos sobre a credibilidade do órgão devido ao crescente peso dos países emergentes na economia global.

Fruto de uma norma não escrita após os acordos de Bretton Woods, em 1944, com os quais foram fundados o FMI e o Banco Mundial, as grandes potências dividiram a designação das diretorias de ambos: os EUA escolhem o presidente do Banco Mundial, enquanto a Europa seleciona o chefe do FMI.

Desde abril, o presidente do Banco Mundial é o americano David Malpass, que foi indicado pelos EUA e não enfrentou candidatos alternativos.

"Parabenizamos Georgieva e acreditamos que ela será uma voz contundente na luta contra a desigualdade e uma ativista na ação climática e pela igualdade de gênero", comentou Nadia Daar, diretora da ONG Oxfam em Washington, em comunicado enviado à Agência Efe.

Daar lamentou que "o processo de seleção seja politizado demais para que um candidato não europeu possa ser indicado ou ter êxito, o que afeta a legitimidade do multilateralismo em um momento no qual deveria demonstrar a sua força".

A assembleia anual do FMI será realizada em outubro, em meio aos crescentes temores de uma nova recessão global e às tensões comerciais entre EUA e China. As novas previsões da instituição para o crescimento mundial serão apresentadas na ocasião.

O órgão também é questionado por conta do futuro do multimilionário programa de resgate à Argentina, no valor de US$ 57 bilhões em três anos - o maior da história da instituição -, devido à contínua crise econômica e às iminentes eleições presidenciais no país. EFE