Fipe reduz previsão de IPC de maio de 0,16% para 0,05%

Maria Regina Silva

São Paulo

O coordenador do Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), André Chagas, reduziu a previsão para a taxa de inflação fechada deste mês, de 0,16% para 0,05%. O motivo da mudança, diz, deve-se ao comportamento inesperado e mais favorável nos preços dos alimentos. "Basicamente por causa de Alimentação, que está sinalizando que encerrará o mês com uma alta menor, ou quem sabe até com deflação. Os preços de frutas, verduras e legumes surpreenderam para baixo na terceira quadrissemana", explica.

A expectativa é que o grupo Alimentação encerre maio com variação positiva de 0,05%, após 0,25% na terceira leitura. Em abril, subiu 1,12%. O IPC, por sua vez, fora de 0,61% no quarto mês do ano. "O clima está favorável e tem ainda a safra recorde. Tudo isso tem ajudado os preços a ficarem sob controle. Também tivemos alívio em Transportes, por causa dos efeitos da colheita de cana sobre etanol e açúcar, e em Habitação, devido a energia elétrica", resume, ao avaliar o IPC de 0,11% na terceira quadrissemana, depois de 0,30% na segunda.

A estimativa é que o grupo Habitação, do qual o energia, que recuou 4,97% na terceira leitura, faz parte, prossiga em retração, devendo atingir 0,38%, na comparação com recuo de 0,43% na terceira leitura.

"Alguns vetores foram de alta: reajuste em transporte integração, com impacto positivo de 0,12 ponto no IPC da terceira quadrissemana, e altas em batata (21,42%) e cebola (26,72%). Porém, os impactos de baixa prevalecerão e devem continuar limitando avanço maior do IPC", avalia. O conjunto de Transportes ficou em 0,54% (ante 0,82%).

Os tubérculos ficaram 15,06% mais caros, porém, um pouco menos que o observado na segunda leitura do mês. Já legumes (de -3,26% para -5,17%), verduras (de -2,76% para -3,08%) e frutas (de -4,25% para -3,46%) continuaram em queda. O segmento de in natura, por sua vez, teve declínio de 0,87%, na comparação com retração de 0,45% anteriormente.

A despeito da taxa positiva de 0,33% da categoria de alimentos industrializados, Chagas avalia que o segmento está sob controle. Segundo ele, o principal subgrupo a ajudar a conter o avanço foi o de derivados da carne, que cedeu 1,10%. Em sua análise, o comportamento ainda reflete o receio de muitos consumidores depois que a operação Carne Fraca veio à tona. Do lado negativo, citou a queda de 0,94% em açúcar e adoçante.

Já os semielaborados, de 1,81% para 0,75% na terceira quadrissemana, seguiram surpreendendo, admite o economista. "Por causa de proteínas de maneira geral. Como já vínhamos afirmando, o efeito do aumento de imposto para carnes está sendo limitado pela demanda fraca", diz.

Chagas observa que apesar de as taxas desses produtos estarem no campo positivo, estão menos aquém do esperado para o período. Na terceira quadrissemana, as carnes bovinas subiram 1,26% (2,75%), frango 1,78% (4,93%) e suína 0,53% (0,93%).

Apesar do reajuste de até 13,55% nos contratos de planos de saúde, o grupo Saúde no IPC deve desacelerar para 0,74% no fim do mês, depois de 1,04% na terceira quadrissemana. Isso porque, explica, o impacto do aumento se dará mais nos próximos meses, "atrapalhando" um pouco a previsão para o IPC fechado do ano. Chagas calcula que o reajuste deve ter impacto de 0,24 ponto porcentual no índice fechado de 2017. "É uma noticia ruim, pois o aumento veio maior que a inflação do período. Nesse momento de recessão, pode ser que muitos consumidores abandonem seus planos de saúde", estima.

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