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Construção demite 646 mil empregados em um ano, revela IBGE

Daniela Amorim

Rio

A construção cortou 646 mil trabalhadores no período de um ano, segundo dados da Pnad (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), iniciada em 2012 pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O total de ocupados na atividade encolheu 8,7% no trimestre encerrado em abril de 2017 ante o mesmo período de 2016.

O comércio dispensou 174 mil empregados no trimestre encerrado em abril ante o mesmo período do ano anterior, queda de 1% na ocupação no setor.

Outras atividades com corte de vagas foram agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (-730 mil empregados, recuo de 7,7% no total de ocupados), administração pública, defesa, seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais (-374 mil vagas, queda de 2,4%) e serviços domésticos (-163 mil empregados, redução de 2,6% no total de ocupados).

O setor de Informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas - que inclui alguns serviços prestados à indústria - registrou um avanço 149 mil vagas em um ano, 1,5% de ocupados a mais.

Também houve aumento em março no contingente de trabalhadores de alojamento e alimentação (+548 mil empregados), outros serviços (+175 mil pessoas) e transporte, armazenagem e correio (+34 mil ocupados).

Indústria

Segundo o IBGE, a indústria cortou 220 mil trabalhadores no período de um ano. O total de ocupados na atividade encolheu 1,9% no trimestre encerrado em abril de 2017 ante o mesmo período de 2016.

No entanto, houve melhora em relação ao trimestre móvel anterior, encerrado em janeiro. A indústria contratou 204 mil pessoas, um crescimento de 1,8% no contingente de trabalhadores em um trimestre.

"É o primeiro resultado positivo após três anos sem aumento na indústria o contingente de ocupados. A indústria perdeu aproximadamente 1,8 milhão de trabalhadores em dois anos e agora começa a apresentar sinais de recuperação. Acho que a gente tem que ser bastante cauteloso. Não é um trimestre consolidado. É importante aguardar o segundo trimestre para ver se esse crescimento da indústria é só um soluço ou um movimento consolidado", ponderou Cimar Azeredo, coordenador de Trabalho e Rendimento do IBGE.

No trimestre encerrado em abril de 2012, a indústria representava 14,8% de toda a população ocupada no País. Após os últimos anos de enxugamento da folha de pessoal, o setor responde atualmente por 12,9% dos ocupados, segundo os dados do trimestre encerrado em abril de 2017.

Segundo Azeredo, o trimestre encerrado em abril ante o trimestre encerrado em janeiro mostra uma movimentação ainda instável no mercado de trabalho.

"A gente tem que ser bastante cauteloso antes de dizer de que a indústria gerou vagas com a recuperação econômica... Senão como você vai explicar queda na população ocupada, aumento na desocupação, carteira assinada no menor nível histórica?", lembrou o pesquisador. "A gente está ainda num momento muito delicado no País", acrescentou Azeredo.

Em abril, o aumento na ocupação na indústria ante janeiro foi disseminado entre os setores da indústria de transformação, informou o coordenador do IBGE.

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