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Febraban: na média, clientes não pagam o juro de 324% ao ano no cheque especial

Fernando Nakagawa

Brasília

10/04/2018 14h18Atualizada em 10/04/2018 19h23

O presidente da Federação Brasileira dos Bancos, Murilo Portugal, afirmou que, na média, clientes não pagam o juro efetivamente anunciado pelo Banco Central de 324% ao ano. "Quem usa por pouco tempo, não paga os 324,1%. Essa é a taxa que se pagaria se o cliente começasse a usar a linha no 1º dia do ano e passasse todos os dias sem amortizar nada", disse.

Portugal afirmou que, na média, clientes que aderem a essa linha de crédito usam normalmente R$ 900 do limite da conta por período de 16 dias por mês.

Uma pessoa que usa o cheque especial por 16 dias com R$ 900 vai pagar (juro de) 6,81% ou R$ 61.

Mesmo com essas ponderações, o presidente da entidade disse que o novo funcionamento do cheque promoverá o uso mais adequado da operação e deve resultar na redução do juro ao cliente.

Ele citou que o cheque especial é uma linha emergencial e a comparou com o táxi.

Normalmente, as pessoas se deslocam de ônibus, mas quando há uma urgência podem usar o táxi, que é mais caro. Mas ninguém vai de táxi de São Paulo para o Rio de Janeiro.

"O uso mais adequado vai reduzir inadimplência do cheque e a menor inadimplência vai permitir a redução do juro", defendeu o presidente da Febraban.

Concentração

Questionado sobre a concentração do setor financeiro, o presidente da Febraban disse que alguns grandes bancos têm parcela importante do mercado, mas afirmou que há competição entre essas instituições.

"Realmente há concentração no Brasil como em outros países do mundo, mas o Brasil não é o mais concentrado. Estávamos em 5º lugar em termos de concentração e o setor bancário é o 9º mais concentrado do Brasil", afirmou.

A concentração não necessariamente significa falta de competição. Se não existisse competição, a prova principal seriam taxas de lucro desproporcionais. O que não é o caso.

A afirmação foi feita ao comentar indicadores que mostram que os índices de retorno do setor bancário são comparáveis ao observado em outros ramos da economia brasileira.

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