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Candidato dorme na rua em mutirão de emprego em São Paulo

Fila em mutirão de emprego no Centro de São Paulo - Nelson Antoine/Estadão Conteúdo
Fila em mutirão de emprego no Centro de São Paulo Imagem: Nelson Antoine/Estadão Conteúdo

Felipe Siqueira e Érika Motoda

18/09/2019 07h02

"Estou empolgadíssimo", comemorou José Augusto de Lima, de 70 anos, depois de conseguir uma entrevista de emprego. A oportunidade surgiu num mutirão com 5,2 mil vagas de trabalho organizado pela União Geral dos Trabalhadores (UGT), na sede do Sindicato dos Comerciários, no Vale do Anhangabaú, centro de São Paulo. A distribuição de senhas de atendimento ocorreu ontem e o mutirão vai até sexta-feira. A expectativa é de que sejam entregues 6 mil fichas.

Lima foi o primeiro das 1,5 mil pessoas que receberam senhas de atendimento no primeiro dia da ação. A fila começava na Rua Formosa, sede do sindicato, e se estendia até a Praça Ramos de Azevedo.

Os candidatos começaram a chegar na tarde de segunda-feira. Lima chegou por volta das 14h, mas não teve de passar a noite na rua. Por causa de sua idade, o sindicato permitiu que ele fosse para casa e retornasse no dia seguinte sem perder o lugar.

Às 6h30 desta terça ele voltou e conseguiu marcar entrevista para uma vaga de repositor em um mercado na zona norte da cidade. O trabalho ideal, segundo ele, é de motorista, mas, por estar parado há quatro meses, aceitaria outras ocupações. "Estou aqui por necessidade e porque gosto também. Gosto de estar sempre ativo e atualizado."

A média salarial dos empregos oferecidos no mutirão, segundo o sindicato, é de R$ 1,5 mil. São vagas de operador de telemarketing, representante comercial, costureira, assistente de loja, operador de loja, repositor, vendedor, instalador de TV a cabo, entre outras.

Ao contrário de Lima, o ex-segurança José Domingos, de 50 anos, passou a noite no Anhangabaú para garantir atendimento. "Foi até uma noite agradável, quente." Domingos acabou conseguindo um emprego ainda na terça-feira.

Vania Lucia da Silva, de 53 anos, e Isamar Silva Cruz, de 30 anos, são amigas de mutirão desde março, quando se conheceram no feirão de emprego que reuniu cerca de 15 mil pessoas no Vale do Anhangabaú.

Hotel

"Estou me sentindo até em um hotel cinco estrelas", disse Vania sobre o fato de, desta vez, haver um toldo de proteção contra o sol e uma grade para organizar a fila de candidatos. Ela, que era auxiliar de cozinha em uma creche até agosto, disse que levava cerca de R$ 2 na carteira para tomar um café durante a madrugada e esperava encontrar uma vaga na área de serviços gerais.

Os irmãos Gabriel e Ester Passos Duarte Gois, de 22 e 20 anos, respectivamente, estão em busca do primeiro emprego de carteira assinada. "Se a gente vier cedo, mostra que estamos batalhando por uma vaga", acredita Gabriel.

Com o número de atendimento, o candidato passava por uma triagem, já dentro do sindicato, para avaliação de seu perfil - na fila é distribuída uma lista com empresas e vagas. Depois, a conversa é com o RH de uma das 40 empresas que participam do mutirão e o candidato pode sair dessa etapa com entrevista marcada.

Segundo o presidente da UGT, Ricardo Patah, o sindicato fechou parcerias para oferecer cursos profissionalizantes aos candidatos com entidades como Senac, Senai e Centro Paula Souza. "No outro mutirão (em março), teve gente que não foi contratada pela falta de capacitação, por não saber mexer em um computador."

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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