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FGV reduz projeção do IPC-S de abril de 0,20% para zero e não descarto queda

Thaís Barcellos

São Paulo

23/04/2020 18h18

O efeito desinflacionário da crise do coronavírus ficou "bem mais evidente" no Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S) na terceira quadrissemana de abril, avalia o coordenador do índice, Paulo Picchetti, já que as altas que estavam mais resilientes já começam a dar sinais de reversão ou estabilização, como em passagem aérea e alimentação. O IPC-S desacelerou de 0,34% na segunda quadrissemana para 0,07%, já ficando abaixo da projeção que Picchetti tinha para o mês, de 0,20%. Agora, o coordenador do índice espera taxa zero para abril, mas não descarta queda.

Só os combustíveis colaboraram com 0,10 ponto porcentual de alívio no índice entre a segunda e a terceira leituras de abril. A gasolina passou de -3,68% para -5,29% (ou -0,08pp), e a ponta (pesquisas mais recentes, da terceira semana de abril ante o mesmo período de março) já indica queda superior a 7%. Já a variação do etanol foi de -5,23% para -8,22%, com a ponta negativa em mais de 14%.

"O mercado internacional de petróleo é fortemente deflacionário. A discussão estava no repasse do preço da refinaria para a bomba aqui no Brasil, que não estava acontecendo na mesma intensidade, mas essa semana acelerou. O preço do etanol tem que acompanhar e mais do que compensar essa queda, porque está perdendo aquela vantagem competitiva de 70%."

Como os combustíveis compõem o grupo de comercializáveis, que sentem de forma mais imediata o efeito do câmbio, a queda vertiginosa contrapõe quase totalmente o limitado repasse da alta dólar. Da segunda para a terceira quadrissemana de abril, o grupo desacelerou de 0,30% para 0,13%. "Dá para afirmar que o pass through do câmbio praticamente zerou no ano."

Outra grande influência de baixa no IPC-S foi passagem aérea (7,40% para 1,43%), com alívio de 0,05 ponto porcentual. Na ponta, queda já é de cerca de 17%. "A política das companhias de tentar compensar parcialmente a redução do movimento com aumento de preços para aqueles que ainda precisavam viajar deixou de ser verdade."

No caso do grupo Alimentação (1,65% para 1,51%), Picchetti destaca a primeira desaceleração em oito semanas. A principal influência foi a perda de ritmo de alta em hortaliças e legumes (11,73% para 9,87%), com destaque para tomate (8,71% para 1,79%). O coordenador explica, porém, que alguns itens continuam em alta, mas frisa que é importante que o efeito líquido final é de desaceleração.

"Desde o início da quarentena, houve uma mudança de padrão de consumo muito grande, com aumento de preços em supermercados. A análise foi sempre no sentido de que era uma mudança de patamar, mas não uma tendência de aceleração contínua. Pode ter começado esse processo de estabilização."

Picchetti ainda destaca que é possível observar efeitos da crise em itens como reparos de automóveis (0,48% para -0,16%), com ponta de -0,20%, e cursos formais (-0,36% para -0,58%), refletindo os descontos pedidos em escolas e cursos de ensino superior.

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