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Sem acordo com sindicato, Renault demite 747 funcionários no Paraná

Empresa havia oferecido um PDV, mas proposta foi recusada em assembleia de funcionários - Rodolfo Buhrer
Empresa havia oferecido um PDV, mas proposta foi recusada em assembleia de funcionários Imagem: Rodolfo Buhrer

Cleide Silva

21/07/2020 20h39

A Renault confirmou hoje a demissão de 747 trabalhadores da fábrica de São José dos Pinhais (PR) e a suspensão do terceiro turno de trabalho. Na sexta-feira, a empresa propôs ao Sindicato dos Metalúrgicos de Curitiba e Região a abertura de um Programa de Demissão Voluntária (PDV), com alguns benefícios, mas a proposta foi recusada em assembleia de funcionários.

Anteriormente, a empresa havia proposto a manutenção dos 7,2 mil empregos do complexo, mas com redução por prazo indeterminado de jornada e salários em 25%, mas também não foi aceita pela entidade. Às 17h30, estava prevista uma assembleia dos trabalhadores nos portões da fábrica.

No fim de semana, o presidente do sindicato, Sérgio Butka, disse que se houvesse demissões aleatórias a entidade defenderia o início de uma greve. Segundo ele, o pacote para o PDV não era atrativo para os funcionários e as condições de quem permanecesse na fábrica também seriam mais precárias pois a empresa suspenderia reajustes neste ano e no próximo.

Nas demissões comunicadas nesta tarde aos funcionários, a empresa afirma que, considerando o contexto, "como forma de suportar os colaboradores nesse momento", além das verbas rescisórias legais vai estender aos demitidos o pagamento do vale-mercado até outubro e o plano de saúde até dezembro, além de oferecer um programa de orientação para a recolocação no mercado de trabalho.

A proposta recusada do PDV oferecia pagamento de 3,5 a seis salários extras dependendo do tempo de contrato do funcionário (incluindo dois meses de benefício da MP 936), plano médico por um ano e vale-mercado até dezembro, além da primeira parcela da Participação nos Lucros e Resultados (PLR).

A Renault alega que a medida é para minimizar os impactos da crise e, ao mesmo tempo, viabilizar o futuro do negócio. Também afirma que a medida "está alinhada com projeto de redução de custos anunciado pelo Grupo Renault em maio, válido para todo o mundo."

O complexo no Paraná produz os modelos Sandero Stepway, Logan, Kwid, Duster, Oroch, Master e Captur e também tem unidades de motores e injeção de alumínio.