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Guedes, sobre Eletrobras: 'jabutis maiores foram removidos, tartaruguinhas ficaram'

Imagem mostra o ministro da Economia, Paulo Guedes, durante o lançamento do Plano Safra do ciclo  2021/2022 - Leco Viana/The News2/Estadão Conteúdo
Imagem mostra o ministro da Economia, Paulo Guedes, durante o lançamento do Plano Safra do ciclo 2021/2022 Imagem: Leco Viana/The News2/Estadão Conteúdo

IIidiana Tomazelli

Do Estadão Conteúdo, em Brasília

01/09/2021 16h40

O ministro da Economia, Paulo Guedes, admitiu hoje que o projeto de privatização da Eletrobras foi aprovado com algumas "tartaruguinhas" inseridas pelos parlamentares, embora "jabutis" maiores tenham sido removidos do texto. Jabuti é o nome dado a matérias estranhas ao texto, muitas vezes inseridos por parlamentares para assegurar vantagens a setores aliados ou a seus redutos eleitorais.

A uma plateia de parlamentares e empresários, Guedes disse que a privatização da Eletrobras foi positiva para o governo, apesar das críticas. "Não vou dizer que foi a melhor do mundo, mas foi bem longe do que estão falando aí", disse. "Fiquei até um pouco triste, não foi um apoio tão grande quanto esperávamos", afirmou o ministro.

Para Guedes, foi mantido no texto aquilo que é "razoável, digerível, compreensível", diante da legitimidade de parlamentares para "defender suas regiões".

"Todo jabuti que tinha mais de 20 centímetros foi removido. As tartaruguinhas ficaram", disse. Segundo ele, o governo calcula que obterá, ao final do processo de privatização, R$ 100 bilhões, mas não detalhou a origem do número.

Uma das "tartaruguinhas" que ficaram no texto seria a previsão de recursos para a revitalização do rio São Francisco. Um fundo para esse fim receberá R$ 350 milhões anuais durante uma década.

"Todo mundo se beneficia da transposição do São Francisco, mas e a nascente? A revitalização do São Francisco é o tipo do jabuti de 10 cm, não faz mal passar", sentenciou Guedes.

O ministro reconheceu que o mais apropriado seria vender a empresa, abater dívida pública, reduzir juros e liberar espaço no Orçamento para então investir na revitalização. "Mas a política não espera", afirmou.

Ele também defendeu outro ponto da lei, que impôs a obrigação de o governo contratar termelétricas a gás natural, mesmo em locais onde não há reservas nem gasodutos e que são exportadoras de energia - nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste, além do Triângulo Mineiro.

O preço da energia deve ser de, no máximo, R$ 300 por megawatt-hora (MWh), o que pode tornar os projetos inviáveis. No entanto, há diversas iniciativas no Congresso que tentam embutir o custo dos gasodutos nas tarifas de energia, um subsídio cruzado para reduzir artificialmente o preço das usinas, repassando todo o custo para o consumidor.

Guedes disse que são "negócios altamente vantajosos", dado o preço atual da energia. No auge da crise hídrica, o acionamento de usinas antigas que estavam paradas está custando mais de R$ 2 mil por MWh. Depois, ele disse que o compromisso de comprar vem quando o preço chegar a R$ 300. "Não vai chegar nunca, é jabuti que evapora", afirmou.

O ministro também reagiu às críticas disparadas contra a privatização da Eletrobras. Citando a venda da Vale, nos anos 1990, ele afirmou que muitos fizeram privatização "no limite da irresponsabilidade", usando fundos de pensão, deixando "esqueletos" a serem resolvidos até hoje pelo governo.

"Todo mundo que não fez o que devia está criticando hoje (equipe econômica)", afirmou. "Vejo economista que trabalhou com ditadura dizendo que Bolsonaro não é a favor da democracia", acrescentou, sem citar nomes. O ministro pediu "paciência, tolerância e compreensão".

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