Ibovespa sobe 0,61% e retoma os 132 mil pontos; na semana, recua 1,61%

O Ibovespa encerrou a primeira semana do ano acumulando perda de 1,61%, frente a ajuste negativo entre 0,59% (Dow Jones) e 3,25% (Nasdaq) no mesmo intervalo em Nova York. Após ter avançado nas três semanas anteriores, em progressão que o alçou a novas máximas históricas no fim de 2023, as quatro sessões inaugurais de 2024 foram pautadas na B3 por fatores externos, principalmente o realinhamento das expectativas em torno do momento em que os juros dos EUA começarão a ser cortados pelo Federal Reserve.

O entusiasmo que havia prevalecido em dezembro, de que redução dos juros de referência do Fed viria já em março, foi matizado nesta abertura de ano por cautela dos investidores, com base na ata da mais recente reunião de política monetária do BC dos Estados Unidos e em nova fornada de dados econômicos, que culminou nesta sexta-feira com o payroll de dezembro.

Hoje, o Ibovespa, que chegou a subir pouco mais de 1% no melhor momento do dia, mostrou fechamento ainda positivo, com ganho limitado a 0,61%, aos 132.022,92 pontos, entre mínima de 130.578,83 e máxima de 132.634,81 pontos na sessão. O giro financeiro foi de R$ 19,5 bilhões nesta sexta-feira, abaixo das duas sessões anteriores, quando havia avançado para a casa de R$ 21 bilhões.

Após reação inicial negativa aos números do mercado de trabalho americano divulgados pela manhã, as revisões para baixo na geração de vagas nos dois meses anteriores - que ajudaram a absorver a leitura acima do esperado para dezembro - acabaram prevalecendo na interpretação, moderadamente favorável, dos dados do payroll nesta sexta-feira. Também contribuiu para alguma estabilização do humor dos investidores a leitura mais fraca para o índice de atividade (PMI) de serviços, do Instituto para Gestão da Oferta (ISM).

"Logo que os dados do payroll saíram, de manhã, os juros dos Treasuries foram acima de 4%", observa Fernando Ferrer, analista da Empiricus Research. Posteriormente, ainda que em viés de alta na sessão, houve alguma acomodação dos rendimentos livres de risco em comparação ao que se viu nas máximas do dia, quando o yield de 10 anos foi a 4,10%; o de 30 anos, a 4,23%, e o de 2 anos, mais correlacionado à perspectiva de curto prazo para a política monetária dos Estados Unidos, a 4,47%.

Num segundo momento, diz Ferrer, o mercado passou a dar atenção às revisões para baixo nos dados sobre a criação de vagas em outubro e novembro, o que compensou a geração "extra" de empregos em dezembro, tranquilizando um pouco os investidores e estabilizando as bolsas. Dessa forma, após essa reavaliação dos dados de emprego pelo viés do copo meio cheio, a expectativa de que o Fed poderá cortar a taxa de referência ainda em março voltou a 66,4%, de acordo com a plataforma da CME, depois de retroceder nos últimos dias, atingindo ontem 64,2%.

"O PMI de serviços do ISM veio em expansão em dezembro, mas em ritmo menor, o que contribuiu para a percepção de que há um arrefecimento de atividade", acrescenta o analista. À espera de cortes na taxa de juros do Fed, menos tem sido mais na apreciação de dados econômicos pelo mercado, com a noção, que tem se consolidado, de que o BC americano operou os instrumentos de forma a assegurar um pouso suave para a economia.

Hoje, a secretária do Tesouro dos Estados Unidos e ex-presidente do Fed, Janet Yellen, expressou essa visão, em entrevista à CNN. "Tivemos 23 meses seguidos com o desemprego abaixo de 4%, algo que não víamos há 50 anos", disse Yellen, para quem os Estados Unidos conseguiram reduzir a inflação sem impor danos drásticos à atividade econômica e ao mercado de trabalho.

Por sua vez, o economista-chefe do JPMorgan, Bruce Kasman, avalia que o payroll de dezembro, mais forte do que o esperado, contrasta com o otimismo ainda visto nos mercados com relação ao momento em que a flexibilização monetária, de fato, começará. "O relatório põe em questão o otimismo de que podemos conseguir uma flexibilização monetária agressiva e antecipada, a partir de março."

Aqui, o mercado começou 2024 um pouco menos otimista sobre o desempenho das ações no curtíssimo prazo, conforme mostra o Termômetro Broadcast Bolsa desta sexta-feira. Na comparação com o último levantamento, relativo à semana que antecedeu o Natal (18 a 22/12), a fatia dos profissionais que espera alta do Ibovespa na próxima semana caiu de 57,14% para 44,44%. Entre os que esperam estabilidade, a porcentagem também recuou, de 28,57% para 22,22%. E os que projetam queda para o índice passaram de 14,29% para 33,33%, no mesmo intervalo.

Nesta sexta-feira, o bom desempenho das ações de grandes bancos - destaque para Itaú PN (+2,34%), na máxima da sessão no fechamento - assegurou sinal positivo para o Ibovespa, em dia discreto para Petrobras (ON +0,87%, PN +0,23%) e ainda negativo para Vale (ON -1,28%). Na ponta do índice de referência da B3, destaque para Soma (+6,85%), Cielo (+5,40%), Alpargatas (+4,57%) e Hapvida (+3,89%). No lado oposto, Pão de Açúcar (-7,87%), Braskem (-2,71%) e IRB (-2,55%).

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