À espera do Fed, dólar fecha acima de R$ 5,00 pela 1ª vez desde outubro

O dólar à vista subiu nesta segunda-feira, 18, pelo terceiro pregão consecutivo no mercado doméstico de câmbio e voltou a fechar acima de R$ 5,00 pela primeira vez desde fins de outubro do ano passado. A alta firme das taxas das Treasuries, às vésperas da decisão de política monetária do Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano), castigou divisas emergentes. As moedas latino-americanas de países com juros altos, que exibiram ganhos robustos em relação ao dólar no ano passado, foram as que mais sofreram.

O real, que costuma apanhar mais em episódios de fortalecimento global do dólar, desta vez teve perdas menores que às do peso mexicano. Além da chamada "Super Quarta", dia 20, com decisão do Fed e do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, na quinta-feira, 21, há reunião do Banco Central do México (Banxico), que pode iniciar um ciclo de corte da taxa de juros, hoje em 11,25%.

No início dos negócios, o dólar até chegou a recuar em relação ao real, em meio à valorização das commodities com dados positivos da China e o resultado do Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br) de janeiro - que reitera a percepção de que economia mais forte neste início do ano e sugere uma postura mais cautelosa do BC no processo de corte de juros. Especula-se que o Copom possa abandonar nesta semana o "foward guidance" de cortes da ordem de 0,50 ponto porcentual na próximas reuniões.

A maré virou com a troca de sinal dos juros dos Treasuries, que renovaram máximas à tarde. Com mínima a R$ 4,9844 e máxima a R$ 5,0254, o dólar à vista encerrou em alta de 0,56%, cotado a R$ 5,0259 - o maior valor de fechamento desde 31 de outubro do ano passado (R$ 5,0414).

Com o avanço desta segunda-feira, a divisa passa a acumular alta de 1,06% em março. No ano, os ganhos são de 3,56%. A liquidez foi forte para uma abertura de semana. Principal termômetro do apetite por negócios, o dólar futuro para abril movimento mais de US$ 13 bilhões.

"O mercado está cada vez mais pessimista com a possibilidade de o Fed iniciar o corte de juros neste semestre, e isso está puxando as taxas dos Treasuries e a valorização global do dólar", afirma o economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni, para quem o BC norte-americano pode empurrar o início de redução da taxa básica para o segundo semestre, tendo em vista as leituras recentes de índices de inflação.

É dado como certo que o Fed vai anunciar nesta semana a manutenção dos juros na faixa entre 5,25% e 5,50%. As atenções se voltam as projeções dos dirigentes para indicadores econômicos e da taxa básica no fim do ano, no chamado gráfico de pontos, além da entrevista do chairman Jerome Powell.

Monitoramento do CME Group mostra que as chances de redução dos juros em junho, que no início do mês superavam 70% e na última sexta-feira eram de quase 60%, agora estão pouco acima de 50%.

Termômetro do comportamento do dólar frente a uma cesta de seis divisas fortes, o índice DXY operou em leve alta ao longo do dia, com máxima aos 103,649 pontos. O iene teve comportamento instável em relação à moeda norte-americana, em meio à expectativa de que o Banco Central do Japão (BoJ, na sigla em inglês) possa dar, nesta terça-feira, o primeiro passo para encerrar a era de taxas de juros negativas.