Copom avalia que conjunturas doméstica e internacional estão mais incertas

O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) destacou que as conjunturas doméstica e internacional estão mais incertas, exigindo cautela na condução da política monetária, no comunicado da reunião de desta quarta-feira, 20. Embora tenha optado por mais um corte de 0,50 ponto porcentual da taxa Selic, de 11,25% para 10,75%, o comitê resolveu flexionar para o singular a sinalização sobre os próximos passos. Agora, só indica mais uma queda de 0,50 ponto porcentual da taxa Selic, na reunião de maio. Desde agosto, vinha sinalizando que pretendia manter esse ritmo por pelo menos duas reuniões.

"O Comitê avalia que as conjunturas doméstica e internacional estão mais incertas, exigindo cautela na condução da política monetária", disse, no comunicado.

Apesar da menor previsibilidade, o Copom não alterou o balanço de riscos para a inflação no encontro desta quarta-feira. O BC continuou a avaliar que o balanço de riscos é simétrico, com fatores para ambas as direções. Os riscos no cenário também foram mantidos.

Entre os riscos de alta, o BC citou uma maior persistência das pressões inflacionárias globais e uma maior resiliência na inflação de serviços do que a projetada em função de um hiato do produto mais apertado. Para baixo, as ameaças são uma desaceleração da atividade econômica global mais acentuada do que a projetada e os impactos do aperto monetário sincronizado sobre a desinflação global se mostrarem mais fortes do que o esperado.

Sem incluir as dúvidas sobre o fiscal doméstico no balanço de riscos, o comitê repetiu que é importante o governo buscar as metas já estabelecidas. "Tendo em conta a importância da execução das metas fiscais já estabelecidas para a ancoragem das expectativas de inflação e, consequentemente, para a condução da política monetária, o Comitê reafirma a importância da firme persecução dessas metas."