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Sob novo comando, BC decide elevar juros para 11,25%

Da Redação, em São Paulo

19/01/2011 20h18

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, decidiu nesta quarta-feira (19) elevar a taxa básica de juros (a Selic) para 11,25% ao ano. A decisão foi unânime.

Esta foi a primeira reunião do Copom sob o mandato da presidente Dilma Rousseff e com o BC sob o comando de Alexandre Tombini. O próximo encontro será no começo de março.

Com a decisão, já esperada pelo mercado, a taxa tem sua primeira elevação após três reuniões seguidas (1º de setembro, 20 de outubro e 8 de dezembro do ano passado) em que o Copom decidiu mantê-la. A Selic atingiu também seu maior nível desde abril de 2009.

A última alta havia sido em julho de 2010, quando a Selic passou de 10,25% para 10,75%, taxa que estava em vigência até esta quarta-feira.

"O Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 11,25% ao ano, sem viés, dando início a um processo de ajuste da taxa básica de juros, cujos efeitos, somados aos de ações macroprudenciais, contribuirão para que a inflação convirja para a trajetória de metas", afirmou o colegiado do BC no comunicado divulgado com a decisão.

A elevação dos juros é o principal método utilizado para o BC para perseguir o centro da meta de inflação, medida pelo índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é de 4,5% para este ano.

O mercado prevê que a inflação em 2011 será de 5,47%. No ano passado, a inflação foi de 5,91%, a maior registrada no país desde 2004.

Impacto na vida das pessoas

A Selic é a taxa básica de juros. Ela é usada como base, por exemplo, para os juros cobrados quando se parcela uma compra ou se pede dinheiro emprestado no banco.

Se os juros básicos aumentam, as lojas fazem o mesmo com o crediário. Os juros também são usados como política monetária pelo governo para conter a inflação.

Com juros altos, as prestações ficam mais caras e as pessoas compram menos, o que restringe o aumento dos preços. No caso de redução dos juros, o receio do governo é que haja muitas compras e as indústrias não consigam produzir o suficiente.

Quando isso acontece, há falta de produtos no mercado, e os que existem ficam mais caros -é a chamada lei da oferta e da procura.

Um aspecto positivo dos juros altos é que eles remuneram melhor as aplicações financeiras. Isso é bom para os investidores brasileiros e também para os estrangeiros que procuram o país.

Quando alguém investe em fundos ou títulos públicos, por exemplo, recebe um rendimento mensal maior se os juros estiverem mais altos.

Por outro lado, os juros altos prejudicam as empresas, que ficam mais receosas de tomar empréstimos para investir em expansão.

Por isso os empresários reclamam dos juros altos. Nesse cenário, também se torna mais difícil a criação de empregos.

O Copom foi instituído em junho de 1996 para estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a taxa de juros.

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