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BC eleva juros para 11,75%, maior taxa em 2 anos

Da Redação, em São Paulo

02/03/2011 20h23

O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, decidiu nesta quarta-feira (2) elevar a taxa básica de juros (a Selic) para 11,75% ao ano. A decisão foi unânime.

Esta foi a segunda alta seguida e também a segunda reunião do Copom sob o mandato da presidente Dilma Rousseff e com o BC sob o comando de Alexandre Tombini. O próximo encontro será nos dias 19 e 20 de abril.

Em janeiro deste ano, a taxa havia passado de 10,75% para 11,25%. Com a nova elevação, já esperada pelo mercado, a Selic atingiu seu maior nível desde janeiro de 2009, quando era de 12,75%.

"Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, elevar a taxa Selic para 11,75% ao ano, sem viés", afirmou a entidade em comunicado divulgado logo após a reunião de dois dias, concluída nesta quarta-feira.

Em dezembro, o BC adotou medidas para restringir a expansão da oferta de crédito. No início desta semana, o governo deu detalhes de como pretende alcançar uma economia de cerca de R$ 50 bilhões no Orçamento de 2011.

A elevação dos juros é o principal método utilizado para o BC para perseguir o centro da meta de inflação, medida pelo índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é de 4,5% para este ano.

O mercado prevê que a inflação em 2011 será de 5,8%. No ano passado, a inflação foi de 5,91%, a maior registrada no país desde 2004. Em janeiro deste ano, o índice subiu 0,83%, a maior alta desde abril de 2005.

Outra medida utilizada pelo governo para controlar a inflação foi o anúncio de um corte de R$ 50 bilhões no Orçamento deste ano. O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou, porém, que o principal objetivo do corte não é combater a inflação, mas, sim, fazer um ajuste fiscal.

Impacto na vida das pessoas

A Selic é a taxa básica de juros. Ela é usada como base, por exemplo, para os juros cobrados quando se parcela uma compra ou se pede dinheiro emprestado no banco.

Se os juros básicos aumentam, as lojas fazem o mesmo com o crediário. Os juros também são usados como política monetária pelo governo para conter a inflação.

Com juros altos, as prestações ficam mais caras e as pessoas compram menos, o que restringe o aumento dos preços. No caso de redução dos juros, o receio do governo é que haja muitas compras e as indústrias não consigam produzir o suficiente.

Quando isso acontece, há falta de produtos no mercado, e os que existem ficam mais caros -é a chamada lei da oferta e da procura.

Um aspecto positivo dos juros altos é que eles remuneram melhor as aplicações financeiras. Isso é bom para os investidores brasileiros e também para os estrangeiros que procuram o país.

Quando alguém investe em fundos ou títulos públicos, por exemplo, recebe um rendimento mensal maior se os juros estiverem mais altos.

Por outro lado, os juros altos prejudicam as empresas, que ficam mais receosas de tomar empréstimos para investir em expansão.

Por isso os empresários reclamam dos juros altos. Nesse cenário, também se torna mais difícil a criação de empregos.

O Copom foi instituído em junho de 1996 para estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a taxa de juros.

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