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Brasil é o 'queridinho' dos mercados globais, diz Nobel de Economia

Paul Krugman, prêmio Nobel de economia (3º da esquerda para a direita), em seminário em SP - Luludi / Agência Luz
Paul Krugman, prêmio Nobel de economia (3º da esquerda para a direita), em seminário em SP Imagem: Luludi / Agência Luz

Izabela Ferreira Alves

Do UOL, em São Paulo

18/04/2012 17h02

O Brasil é o destino favorito dos investimentos globais. Assim o prêmio Nobel de economia Paul Krugman definiu a posição do país em relação ao mundo, em palestra promovida hoje na capital paulista pelo Sebrae, serviço de apoio à empresa. Ele destacou que a tendência histórica de os países emergentes sofrerem com as crises mundiais não se confirma no cenário atual.

"Sempre que houve problema no G7, os emergentes sofriam mais, mas o mundo mudou. Isso não ocorre mais e os emergentes, principalmente o Brasil, foram bastante resilientes com relação à crise."

Segundo Krugman, enquanto os EUA acabam de atingir só agora, quatro anos depois, o patamar de PIB de 2008, o Brasil demonstra crescimento sólido e razoável. "Desde 2000, o país vive período muito bom, pela estabilidade e crescimento econômico que vem sendo melhor em relação ao passado, associado à redução da desigualdade, com políticas como o Bolsa Família, juntamente com a melhoria dos níveis de educação. Isso é uma história feliz."

No entanto, deve-se olhar a migração dos investimentos do eixo Norte para o Sul com cautela. "O mercado agora adora o Brasil, mas na última década eram a Espanha e Grécia os queridos do capital". Os dois países encontram-se hoje no epicentro da crise Europeia.

Outra razão para o país ficar alerta é a consequente sobrevalorização do real, que não é sustentável para os negócios da iniciativa privada, segundo ele. "Se o Brasil pudesse voltar à taxa de cambio de 2008, sem grandes disrupções seria bom."

Com relação à crise internacional, o economista acredita que uma solução ainda possível de ser adotada na Europa é a exclusão de países da zona do euro.  Já com relação aos EUA, a produção poderia ser cerca de US$ 1 trilhão superior ao que se registra hoje. "As pessoas estão há mais de um ano desempregadas e nosso sistema não está pronto para isso, os jovens estão encontrando dificuldade para encontrar trabalho."

Seminário discute oportunidades para pequenos negócios

Paul Krugman, Delfim Netto e outros economistas participam a partir de hoje do Seminário Internacional sobre Pequenos Negócios, evento que vai durar três dias em São Paulo. Com o objetivo de discutir temas que impactam as micro e pequenas empresas, na pauta, estão os desafios dos pequenos negócios no atual cenário mundial, bem como as oportunidades de mercado criadas com a ascensão da nova classe média. Também devem ser debatidos temas como ambiente legal, sustentabilidade e inovação.