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Negócios: 7 erros de empresas de tecnologia iniciantes e como evitá-los

Afonso Ferreira

Do UOL, em São Paulo

11/12/2012 06h00

No mundo das start-ups –empresas de base tecnológica em estágio inicial–, em que há altos investimentos e jovens com pouca experiência no comando de negócios, a possibilidade de fracasso é grande. Segundo Cassio Spina, presidente da Anjos do Brasil, associação de investidores-anjos, metade das start-ups abertas são malsucedidas.

É o que aconteceu com o empreendedor carioca Eduardo Ferreira, 29. Ele cometeu um dos sete pecados capitais das start-ups apontados por especialistas ouvidos pelo UOL: começar o negócio pela ideia sem identificar uma oportunidade.

Em 2008, ele passou seis meses desenvolvendo um sistema de envio de publicidade via bluetooth para lojistas. A ferramenta enviava mensagens promocionais para clientes que passassem em frente à loja com o bluetooth de seus celulares ligados.

A ideia parecia promissora mas, no momento de oferecer aos lojistas, Ferreira percebeu que a ferramenta não fazia sentido para eles. “Os clientes não tinham a menor noção de como utilizar o sistema e fazer uma campanha com ele. Foi um esforço muito grande para um negócio que não estava adequado ao público”, diz.

Com o projeto inviabilizado, o empresário teve de mudar totalmente o foco da empresa. Atualmente, a Mainô desenvolve sistemas de gestão para empresas importadoras de mercadorias e já conta com 75 clientes. O faturamento do em 2012 deve chegar aos R$ 500 mil.

"Nosso grande erro foi nos empolgarmos demais com a ideia, achar que o produto era genial e não ter feito a lição de casa. Aprendi que temos de controlar nosso ego e escutar um pouco mais o mercado para propor soluções”, afirma.

Veja a seguir os setes pecados capitais que mais levam as start-ups brasileiras ao fracasso, segundo especialistas.

1. Começar negócio pela ideia sem idenficar oportunidades
Ter uma ideia e querer empurrá-la aos clientes não é o caminho ideal. O negócio deve surgir a partir de uma necessidade ou oportunidade de mercado observada pelo empreendedor. “A ideia pode não estar compatível com os interesses dos consumidores”, afirma Cassio Spina, presidente da Anjos do Brasil.

2. Mania de pioneirismo
Alguns empreendedores acreditam que ser o primeiro a lançar algo no mercado é garantia sucesso. Mas, nem sempre isso é verdade. Às vezes, lançar um produto depois do concorrente permite aprender com os erros dele. “O iPod não foi o primeiro tocador de música, mas é o mais famoso. Ser pioneiro demanda conhecer intimamente o mercado”, diz Spina.

3. Excesso de perfeccionismo
Gastar tempo exagerado para desenvolver e validar o produto para que ele chegue perfeito ao mercado não é recomendável. Start-ups precisam ser rápidas. Quanto antes testar o produto com os consumidores, mais rápido a empresa poderá descobrir falhas, fazer alterações e torná-lo competitivo.

4. Subestimar o desafio de empreender
Às vezes, o otimismo do empreendedor pode esconder o verdadeiro desafio de comandar um negócio. Muitos aceitam pedidos de trabalho em excesso e acabam por não dar conta da demanda. Consequentemente, perdem clientes. “O empresário precisa saber que vai enfrentar problemas e não terá retorno financeiro imediato”, declara o presidente da Anjos do Brasil.

5. Lançar empresa no momento errado
Na ânsia de entrar logo no mercado, algumas empresas não fazem um estudo aprofundado e acabam perdendo momentos favoráveis. Outras vão ao mercado em períodos de economia instável e não alcançam o resultado esperado. É preciso estudar o comportamento dos consumidores e as tendências de consumo para encontrar oportunidades de ingresso no mercado. “O negócio deve ser visto de fora para dentro”, afirma o estrategista em marketing digital Gabriel Rossi.

6. Má relação com investidores
Nem sempre empreendedores e investidores têm os mesmos objetivos. Um vê a empresa como o sonho de sua vida, enquanto o outro almeja o lucro. A falta de consenso pode retardar decisões e fazer com que o negócio perca oportunidades de mercado. “Em muitos casos, os empreendedores são jovens e não estão preparados para este tipo de negociação”, diz Rossi.

7. Falta de conhecimento do mercado
É quase impossível uma empresa ter sucesso sem conhecer profundamente o mercado no qual pretende ingressar. A start-up tem de conhecer seus concorrentes diretos e indiretos, seu público-alvo e os hábitos de consumo de seus clientes. Sem foco, o negócio acaba “atirando” para todos os lados. “Quem faz tudo, não faz nada. Por isso, especializar-se em algo que tenha demanda é essencial”, declara o presidente da ABS (Associação Brasileira de Startups), Gustavo Caetano.

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