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Sindicatos cobram da Vale garantia de emprego e apoio a famílias dos mortos

Do UOL, em São Paulo

2019-01-30T18:43:06

30/01/2019 18h43

Entidades sindicais que representam os trabalhadores da Vale em Brumadinho (MG) entregaram à companhia um documento com sete reivindicações para os funcionários da companhia no local, além de terceirizados e familiares de trabalhadores mortos ou desaparecidos. Os principais pedidos são:

  • pagamento de um abono emergencial para os atingidos e familiares
  • manutenção do plano de saúde e do salário dos funcionários mortos aos dependentes
  • garantia de não haver demissões na região pelos próximos dois anos

"Queremos assegurar o direito desse pessoal, inclusive dos familiares, que também precisam de ajuda", disse José Maria Soares, presidente da FTIEMG (Federação dos Trabalhadores nas Indústrias Extrativas de Minas Gerais).

"Por isso a manutenção do salário [para as famílias dos trabalhadores mortos], do plano de saúde, para que as famílias possam ter tratamento, apoio psicológico, porque o parente, o trabalhador, acabou, já era."

A Vale foi procurada pelo UOL, mas não havia respondido até a publicação desta reportagem. Na segunda-feira (28), a companhia informou que doará R$ 100 mil para cada família atingida, além das indenizações ainda a serem negociadas.

Medo de demissões

As propostas foram apresentadas à companhia ontem no início do dia. À noite, o diretor-presidente da Vale, Fabio Shvartsman, anunciou que a operação de Brumadinho e de outras cidades à beira de barragens semelhantes serão paralisadas.

"Parece que adivinhamos", disse Soares. "Queremos a garantia de emprego para todos os trabalhadores, incluindo os terceirizados. Temos medo que, com a suspensão, possa haver demissões."

Conversa com Ministério Público do Trabalho

Representantes da federação e do sindicato dos trabalhadores da mineração de Brumadinho e região (Metabase) reuniram-se na terça-feira (29) com representantes da área de recursos humanos da mineradora e entregaram o documento com as reivindicações. Segundo Soares, a empresa marcou um novo encontro para quinta-feira (31), para dar uma resposta e acertar as negociações.

A FTIEMG, que reúne todos os sindicatos do setor no estado, tem ajudado nas negociações enquanto o sindicato local, o Metabase, se reestrutura --quatro diretores da entidade estão desaparecidos.

Para os próximos dias, as entidades sindicais da região também têm reuniões marcadas com representantes do MPT (Ministério Público do Trabalho).

A intenção, diz Soares, é buscar suporte e pensar ações conjuntas, inclusive possíveis aberturas de processos, visando a ampliação e garantia de direitos tanto dos trabalhadores quanto do meio ambiente.

Veja as reivindicações apresentadas à Vale:

  1. Garantia de emprego por dois anos
  2. Pagamento imediato de um abono emergencial de cinco salários (para trabalhadores ou familiares)
  3. Manutenção do pagamento dos salários para as famílias dos trabalhadores mortos e desaparecidos
  4. Pagamento de todos os gastos com despesas médicas, hospitalares, de hospedagem, transporte e velório, além de outros custos que as famílias venham a ter em decorrência do rompimento da barragem
  5. Licença remunerada para todos os trabalhadores da Vale na região, diretos e terceirizados, até que as condições de segurança estejam garantidas
  6. Emissão imediata da CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) para todos os funcionários, diretos ou terceirizados, que tenham sofrido dano físico, mental ou que tenham desaparecido ou falecido em virtude do rompimento. A CAT é um documento que as empresas devem enviar ao governo sempre que há um acidente de trabalho e que é necessária tanto para as estatísticas quanto para que os atingidos possam pleitear benefícios ao INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
  7. Manutenção do plano de saúde para os familiares dos trabalhadores mortos, diretos e terceirizados.

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