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Como as marcas pretendem usar a Alexa, da Amazon, no Brasil?

Linha de alto falantes inteligentes Amazon Echo, com a assistente Alexa - Bruna Souza Cruz/UOL
Linha de alto falantes inteligentes Amazon Echo, com a assistente Alexa Imagem: Bruna Souza Cruz/UOL

Renato Pezzotti

Colaboração para o UOL, em São Paulo

07/10/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Alexa, da Amazon, chegou ao Brasil falando português
  • Dispositivo também oferece ao usuário a possibilidade de comprar produtos
  • Gadget já possui cerca de 300 aplicações, com empresas como Bradesco, Cinemark, Itaú, iFood, Nestlé, Latam, Uber e Unilever
  • Histórias de ninar, receitas, delivery de comida e status de voo: tudo a poucas frases do consumidor
  • Produtos poderão ter descontos especiais aos consumidores que são assinantes do programa Amazon Prime

O estudo "Latin America Finds its Voice", da agência de marketing digital iProspect, apontou que 49% dos usuários de smartphone no Brasil já usam assistentes de voz. E o número tende a crescer. Isso por causa da chegada da Alexa, assistente virtual por voz da Amazon, ao país.

O dispositivo já pode ser comprado no site da rede varejista, em três modelos diferentes. Na prática, o produto é um assistente virtual ligado a um alto-falante, que pode ajudar em várias tarefas diárias.

Transformando voz em vendas

O consumidor pode pedir para tocar música, fazer ligações, informar a previsão do tempo, falar sobre notícias, filmes ou esportes. A Alexa também oferece ao usuário a possibilidade de comprar produtos. É aí que as oportunidades para as marcas aparecem. Como transformar mais este ponto de contato em vendas?

"A Alexa trará uma facilidade muito grande para o consumidor pedir produtos de marcas com as quais está acostumado. Ele ganhará, dependendo do acordo logístico da Amazon, essa oportunidade de pedir uma reposição a qualquer momento", declarou Lucas Copelli, professor de neurociências e inteligência cognitiva da ESPM-SP.

Para Copelli, a Amazon tentará vender produtos de marcas próprias. Mesmo assim, vários anunciantes poderão se beneficiar com a novidade. "As empresas que primam por inovação se aproveitarão muito disso. Além disso, a Alexa ajudará a Amazon a desenvolver o perfil completo do consumidor. Isso ajudará muito a área de propaganda da companhia", afirmou.

Marcas já preparam aplicações

O produto já possui cerca de 300 aplicações, em parcerias com empresas de diferentes setores. Lâmpadas da Positivo, televisões da LG, alto-falantes da Bose e fones de ouvido da JBL são alguns exemplos de produtos compatíveis com a tecnologia. A Alexa também terá histórias exclusivas da Turma da Mônica.

Marcas como Bradesco, Cinemark, Itaú, iFood, Lego, Nestlé, Latam, Uber e Unilever são outras que já oferecem serviços —alguns produtos ainda terão descontos especiais aos consumidores que são assinantes do programa Amazon Prime da empresa.

A Nestlé desenvolveu três habilidades para o gadget. "Baby & Me" vai permitir que os clientes verifiquem dicas sobre o universo infantil; "Ninho Rotinas" dará aos pais a chance de pedirem opções de entretenimento e canções de ninar para crianças; e "Meu Café" falará sobre origens, fatos e receitas do café.

"Queremos surpreender as pessoas, inovando em serviços. Nossa integração com a Alexa no Brasil oferecerá benefícios como receitas para cada dia da semana e dicas sobre o universo de cafés, por exemplo", disse Carolina Sevciuc, diretora de Transformação Digital da Nestlé Brasil.

Para fazer pedidos pelo iFood, por exemplo, bastará falar o comando "Alexa, abrir o iFood". Ela vai sugerir restaurantes. Após escolher seu pedido, o cliente poderá acompanhar o status, como tempo de preparo no restaurante, estimativa de entrega e chegada.

"Pretendemos proporcionar aos nossos consumidores a vivência dessa experiência. Neste momento, nosso foco é conhecer o comportamento do consumidor diante do relacionamento com uma tecnologia inovadora", declarou Bruno Henriques, vice-presidente de Inteligência Artificial da foodtech.

O iFood ainda promete "brincar" com os clientes, em alguns momentos. "Somos uma marca que interage com nossos clientes de uma forma 'fun'. Essa personalidade aparecerá em algumas interações da Alexa com os usuários", disse Henriques.

Em breve, em outras lojas

Em entrevista à Reuters, Ricardo Garrido, gerente para Alexa na Amazon Brasil, afirmou que a empresa "considera a possibilidade de vender os dispositivos em outras redes varejistas" e "não descarta parcerias com operadoras de telefonia locais".

Para ampliar ainda mais a parceria com marcas, a Amazon tem apostado no "Alexa Skills Kit" (ASK). O site possibilita que empresas possam desenvolver recursos (os "skills") para tornar o produto mais inteligente e facilitar as tarefas diárias.

O programa tem cursos que ensinam a construir recursos, com dicas de design e desenvolvimento. Isso permite que qualquer agência ou marca desenvolva sua experiência no dispositivo.

De acordo com a Amazon, 100 milhões de dispositivos já estão conectados à Alexa em todo o mundo. Os preços para os três aparelhos da marca no Brasil variam entre R$ 349 e R$ 699. A empresa dá descontos de até R$ 150 na pré-venda online, que começou ontem.

Vão ficar me espionando?

Os assistentes de voz têm enfrentado questionamentos em relação à privacidade de seus usuários. Quando eles estão nos escutando?

A Amazon afirma que a Alexa não fica "espionando" seus usuários: ela passa a ouvir somente com a palavra de ativação.

"O cliente pode ver tudo o que está sendo mandado [para a nuvem da empresa]. Ele pode cancelar um por um ou todas [as gravações de áudio]. E tem o botão de desativação do microfone. Se a luz vermelha estiver ligada, os microfones não ficam ligados", disse Michele Butti, diretor Internacional de Alexa, à reportagem de Tilt, canal do UOL.

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