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Construção vai crescer e contratar mais em 2020, diz sindicato de empresas

Presidente do SindusCon-SP, Odair Senra - Jorge Rosenberg/SindusCon
Presidente do SindusCon-SP, Odair Senra Imagem: Jorge Rosenberg/SindusCon

João José Oliveira

do UOL, em São Paulo

13/12/2019 04h00

Resumo da notícia

  • Presidente do SindusCon-SP diz que setor fecha 2019 com alta de 2% e projeta 3% em 2020
  • Juros baixos, inflação controlada e economia estabilizada ajudam a vender mais imóveis
  • Foram abertos 42 mil empregos em 2019, após 1,2 milhão de vagas fechadas entre 2013 e 2018
  • Governo deveria aumentar recursos para Minha Casa Minha Vida, diz presidente

O setor da construção vai acelerar o ritmo em 2020, depois de sair da crise em 2019. As vendas fechadas este ano reduziram os estoques de imóveis à venda e abriram espaço para novas obras no ano que vem. Isso vai permitir que as construtoras também possam aumentar as contratações de trabalhadores.

Em entrevista ao UOL, o presidente do SindusCon-SP (Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo), Odair Senra, disse que os juros baixos, a inflação controlada e a estabilidade da economia ajudaram o setor a sair da crise.

Falta muito para voltar a 2012

Mas ainda falta muito para a construção voltar ao nível de 2012. Entre 2006 e 2012, o PIB construção subiu 62%. Entre 2013 e 2018,caiu 30%. No pico, havia 3,5 milhões de trabalhadores, mas perder 1,2 milhão até 2018.

Segundo o executivo, o PIB da construção cresceu 2% em 2019 e vai avançar outros 3% ano que vem. O número de empregados, que aumentou 1,8% este ano e atingiu 2,3 milhões de trabalhadores, deve seguir crescendo, mas não há estimativa de quantas vagas serão abertas

Para Senra, um reforço em parte do Programa Minha Casa Minha Vida e ajustes na cobrança de impostos sobre o setor poderiam ajudar a construção civil a acelerar ainda mais o passo. Veja os principais trechos da entrevista.

UOL - Alguns agentes econômicos têm apontado o segmento imobiliário da construção civil como um dos motores que estão já empurrando a economia e apostando nessa atividade para sustentar o crescimento do PIB em 2020. Esse otimismo vai se confirmar em 2019 e 2020?

Odair Senra - O segmento imobiliário tem apresentado um melhor desempenho em lançamentos e vendas, sobretudo no município de São Paulo. Essas vendas e lançamentos devem resultar em obras, emprego e renda no ano que vem. Daí sim, a expectativa de que este segmento apresente um desempenho mais robusto em 2020, contribuindo para um PIB mais elevado.

Por que a construção civil no segmento imobiliário está retomando o ritmo?

Por conta de um conjunto de fatores favoráveis. A significativa queda de juros e a inflação sob controle, o que motivou a diminuição dos juros nos financiamentos imobiliários, tornando-os mais acessíveis; uma demanda qualificada de famílias que agora, com a baixa inflação e a estabilidade econômica, se sentem mais seguras do que nos anos anteriores para tomar crédito de longo prazo; e investidores que, com a redução da atratividade das aplicações financeiras, começam a adquirir imóveis para renda ou preservação do patrimônio. O tijolo é moeda forte.

Quais segmentos dentro da construção civil merecem destaque?

Neste ano de 2019, o segmento que estimamos ter crescido mais é o de autoconstrução e reformas, alimentado principalmente pelo aumento do consumo das famílias que resultou em elevações da produção e das vendas de materiais da construção.

Projetamos que o PIB deste segmento específico deva apresentar neste ano uma elevação de 3%, seguido de serviços especializados como engenharia de projetos e arquitetura (+2,5%) e infraestrutura (+1%).

O setor de edificações ainda não deve apresentar crescimento no cômputo geral do país. Com isso, estimamos que o PIB da construção vai fechar 2019 com crescimento de 2% sobre 2018.

Olhando para o mercado de trabalho no setor, a expectativa de crescimento em 2020 vai se refletir em abertura de vagas?

Sim, e o mercado de trabalho do setor já mostra alguma recuperação em 2019. Estimamos que a indústria brasileira da construção vá fechar este ano com 2,331 milhões de trabalhadores empregados, um aumento de 1,8% em relação ao ano passado.

Para 2020, projetamos aumento de 3% no PIB da construção, mais uma vez puxado pelo segmento de autoconstrução e reformas (+4,5%) e pelos serviços especializados (+2,5%), mas com desempenho do setor de edificações (+2,3%) superior ao da infraestrutura (+1%).

Seguramente teremos novo e maior impacto positivo na abertura de vagas, embora ainda não estimado.

Mas o setor ainda está muito longe dos picos atingidos antes dos anos de recessão?

Ainda está longe. Para se ter uma ideia, de 2006 a 2012 o PIB da construção acumulou aumento de 62%. Já entre 2013 e 2018, apresentou uma queda de 30%. No pico do boom do setor, ele chegou a ter cerca de 3,5 milhões de empregados, perdendo mais de 1,2 milhão até 2018.

Há risco de que o setor volte a enfrentar algum tipo de gargalo como chegou a ter, quando a forte expansão gerou disputa por mão de obra, insumos e equipamentos?

Nesta crise que durou cinco anos, empresas que fornecem equipamentos, serviços de projetos, mão de obra e instalação de sistemas prediais às construtoras fecharam ou reduziram drasticamente seu pessoal.

Trabalhadores qualificados migraram para outros setores da economia. Por isso, apesar da grande ociosidade, poderão ocorrer dificuldades pontuais em regiões aquecidas, mas não de forma generalizada em todo o país.

Como o setor avalia a postura do atual governo com relação à construção civil? Alguns pontos poderiam ser revistos em termos de política setorial?

Sentimos que o governo está no rumo correto ao buscar o equilíbrio das contas públicas para manter a inflação sob controle, motivar a retomada dos investimentos privados e impulsionar a infraestrutura por meio de privatizações, concessões e parcerias público-privadas.

E esperamos que, na reforma tributária, o governo reconheça a necessidade de um tratamento diferenciado para a construção, sob pena de sofrermos uma elevação da carga tributária do setor, que será inevitavelmente repassada para os preços das obras e imóveis, prejudicando não só as famílias como o próprio governo, na qualidade de contratante de obras públicas.

Também esperamos que a taxação de lucros e dividendos seja repensada, para não desestimular os investidores do setor.

O Minha Casa Minha Vida é um ponto que merece preocupação quando se olha para 2020?

Sem dúvida, especialmente no tocante à faixa 1 (famílias com renda mensal de até R$ 1.800). Os recursos destinados à contratação de novas moradias no Orçamento da União para 2020 são tão escassos que possivelmente só serão liberados para situações excepcionais, como, por exemplo, famílias de baixa renda que perderem suas casas em catástrofes.

Com relação às demais faixas, esperamos que não haja maiores problemas, uma vez que os recursos para subsidiá-las sairão integralmente do FGTS. Mas esses recursos tendem a diminuir diante da decisão do governo de utilizar o Fundo para estimular o consumo, daí que a preocupação permanece em relação aos anos seguintes.

O imóvel como forma de investimento é algo que pode ganhar força em 2020?

Eu diria que já está ganhando força, e essa tendência deve ser reforçada ao longo de 2020, especialmente se as reformas que buscam o equilíbrio das contas públicas avançarem.

Vemos que a redução da atratividade das aplicações financeiras tem levado investidores a adquirir imóveis para renda ou preservação do patrimônio. O tijolo é moeda forte.

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