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Aulas para aprender a investir serão dadas a alunos de escola pública

Antonio Temóteo

Do UOL, em Brasília

15/05/2021 04h00

O BC (Banco Central) iniciou no mês passado um programa piloto em cinco estados, mais o Distrito Federal, para capacitar professores a ensinar educação financeira em sala de aula por meio das disciplinas de português, matemática, história e geografia. O projeto é para estudantes do 1º ao 9º ano da rede pública de ensino. A ideia é fazer as crianças e os jovens lidarem melhor com dinheiro e garantir que mesmo pessoas de baixa renda consigam poupar se tiverem disciplina e adquirirem o hábito.

O programa foi batizado de "Aprender Valor", e o BC planejava iniciar as atividades em 2020. Entretanto, a pandemia de covid-19 obrigou os envolvidos a mudar a metodologia de ensino, antes planejada exclusivamente para sala de aula. Com isso, o ensino a distância será usado para formar professores e estudantes. Além do DF, o programa vai atender alunos do Ceará, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, Paraná e Pará.

O objetivo do BC é que os alunos aprendam os conceitos necessários para planejar o uso do dinheiro, poupar ativamente e fazer uso consciente de crédito oferecido por bancos e financeiras. A meta de alunos impactados no piloto subiu de 25 mil para 30 mil, em 400 escolas de mais de 250 municípios.

13 mil alunos serão avaliados no piloto

Dos estudantes que participarão do piloto, 13 mil deles foram avaliados em abril em português, matemática e letramento financeiro. O mesmo grupo fará novos exames em agosto para que seja identificada a evolução no aprendizado dos conceitos de educação financeira.

Ao final de 2022, o BC quer educar 22 milhões de alunos. A expansão para todos os estados da federação deve começar no segundo semestre de 2021. Para isso, o órgão público contratou o Centro de Políticas Públicas e Avaliação da Educação da UFJF (Universidade Federal de Juiz de Fora) para desenvolver uma plataforma online de capacitação dos professores e diretores.

Serão gastos R$ 11 milhões, em três anos de projeto, custeados pelo Fundo de Defesa dos Direitos Difusos do Ministério da Justiça. Dos 19 projetos escolares disponibilizados, com planos de aula, vídeos, tutoriais e atividades, seis foram adaptados para ensino a distância. Outros 35 estão prontos para serem oferecidos aos alunos ao longo do ano.

Capacitação de professores

Além de planos de aula, vídeos e tutoriais, os educadores aprenderão como ensinar os conceitos de educação financeira nas quatro disciplinas, como usar esses recursos educacionais e terão um módulo sobre gestão de finanças pessoais.

Para isso, serão capacitados 6.300 profissionais nas seis unidades da federação, entre professores, gestores escolares, técnicos de secretarias de educação e dirigentes municipais de educação.

"O professor é um dos pilares do programa. Eles terão acesso a quatro módulos dentro da plataforma para se prepararem para ensinar educação financeira e para melhorar seu próprio conhecimento sobre o tema. Eles só ensinam o que conhecem. A ideia é melhorar o conhecimento financeiro do professor e melhorar sua vida financeira.", disse Mauricio Moura, diretor de Relacionamento, Cidadania e Supervisão de Conduta do BC.

Alunos de baixa renda também podem poupar

Segundo Moura, a ideia é que os alunos aprendam a ter uma relação saudável com o dinheiro, consigam identificar o orçamento familiar mensal, quanto é gasto e com o quê. A ideia, afirmou o diretor do BC, é que esses estudantes levem esses conceitos para os pais e demais membros da família.

"O estudante terá uma vida financeira saudável e poderá mudar a da família. Queremos que eles aprendam a planejar, a poupar, a tomar crédito. Queremos que cheguem para se relacionar com o sistema financeiro e entendam cada produto e como podem formar a própria poupança ", afirmou Moura.

O diretor do BC explicou que os conceitos de educação financeira e poupança podem ser encarados sobre três aspectos. Primeiro, a pessoa deve poupar ativamente, separando mensalmente parte da renda. Além disso, deve economizar para ter uma velhice tranquila. E ainda podem antecipar um sonho, com o crédito planejado, e comprar, por exemplo, uma casa.

Expansão para o ensino médio

Após os resultados do programa piloto e do início da expansão nacional para os alunos do ensino básico, o BC planeja estender o programa para estudantes do ensino médio. Segundo Moura, como esses jovens estão em outra faixa de idade e têm interesses distintos, o conteúdo e o método de ensino serão diferentes.

"Usaremos a mesma plataforma para criar disciplinas e conteúdo para alunos do ensino médio. E ainda temos a possiblidade de fazer parcerias com outros órgãos públicos. Com a CVM [Comissão de Valores Mobiliários, reguladora da Bolsa], podemos ensinar educação financeira voltada para investimentos. Com a Susep [Superintendência de Seguros Privados], podemos desenvolver educação securitária e de previdência privada", declarou.

Apesar dos planos, o BC ainda não definiu quando levará educação financeira para os alunos do ensino médio.