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Jornal: Odebrecht entrega áudios à Justiça e acusa pai e irmão de extorsão

5.dez.2019 - O empresário Marcelo Odebrecht, em seu escritório na sua residência - Eduardo Knapp - 5.dez.2019/Folhapress
5.dez.2019 - O empresário Marcelo Odebrecht, em seu escritório na sua residência Imagem: Eduardo Knapp - 5.dez.2019/Folhapress

Do UOL, em São Paulo

18/04/2022 11h01

O empresário Marcelo Odebrecht protocolou documentos na Justiça de São Paulo e da Bahia acusando o pai, Emílio, e o irmão, Maurício, de extorsão. As informações são da coluna de Malu Gaspar, no jornal O Globo.

Conforme a reportagem, Marcelo alega que o pai e o irmão condicionaram o fechamento de um acordo que estava sendo negociado com o grupo Odebrecht a que ele entregasse aos dois, de graça, sua participação na EAO empreendimentos. A firma, na qual Marcelo tem participação de 20,9%, inclui fazendas e obras de arte da família.

Segundo o jornal, as negociações estavam sendo feitas de forma confidencial, mas Marcelo confirma, nos documentos, ter gravado conversas com os negociadores indicados pelo pai depois de perceber que o acordo não seria concretizado.

Ainda de acordo com a reportagem, Marcelo entregou à Justiça gravações, transcrições de diálogos e mensagens eletrônicas trocadas com o pai e a mãe, Regina. As transcrições sugerem que a proposta para encerrar a briga entre Marcelo e a Odebrecht previa que ele desse sua parte na EAO como contrapartida. Os negociadores dizem ter proposto um pagamento de R$ 30 milhões, mas Marcelo recusou.

Procurados pelo jornal, Odebrecht, Emílio, Maurício e Marcelo não quiseram comentar o caso. O UOL procurou a Novonor, ex-Odebrecht, mas a empresa não quis se manifestar.

Para Marcelo, suas partes nas fazendas valem entre R$ 150 e R$ 200 milhões — na contabilidade da EAO, no entanto, esse valor é de R$ 74 milhões. Isso levaria a empresa a um valor entre R$ 600 e R$ 800 milhões, segundo o jornal. Em 2016, durante o processo de recuperação judicial da Odebrecht, a firma foi avaliada em R$ 375 milhões.

Nos documentos, Marcelo acusa o pai e o irmão de usar a Odebrecht para conseguir vantagens particulares às custas de seu patrimônio pessoal. Ele diz que suas ações da EAO são atualmente todo o seu patrimônio.

"O objetivo da chicana que as apeladas (a Odebrecht e a Odebrecht SA) movem contra ele e sua família nunca foi de questionar os acordos firmados", diz ele, sobre o fato de que as ações que o grupo move contra ele não teriam o objetivo de fazê-lo devolver os valores que a empresa pagou para que ele fechasse o acordo de delação com a Lava Jato. "Trata-se unicamente de uma tentativa espúria de usar a Justiça para fazer calar, retaliar e extorquir."

Conforme o jornal, em São Paulo, correm as duas ações que a Odebrecht move contra Marcelo, sua mulher, Isabela, e filhas. Os processos estavam suspensos desde setembro de 2021, para que ele e a companhia negociassem um acordo, mas recentemente as negociações se encerraram por causa da questão envolvendo as fazendas.

Histórico de tensão

Marcelo foi preso em junho de 2015, na 14ª fase da Lava Jato. A delação premiada da Odebrecht foi homologada em 2017 pela ministra do STF (Supremo Tribunal Federal) Cármen Lúcia. O acordo, segundo publicou o UOL à época, causou o rompimento entre Marcelo e Emilio.

O executivo insistia em negar as acusações e rejeitava aderir a um acordo. Emílio, por sua vez, decidiu rapidamente pela delação — única maneira de preservar a empresa, em sua opinião. Marcelo deixou a prisão em dezembro de 2017.

O empreiteiro foi demitido da própria empresa em 2019 — por justa causa e sem direito a indenização.

Desde aquele ano, Marcelo e o grupo Odebrecht se enfrentam na Justiça. Em depoimentos, ele acusa o pai e outros executivos de desviar recursos da empresa e da Braskem. Na época, o novo presidente da companhia, Ruy Sampaio, acusou Marcelo de chantagear e montar um esquema de extorsão dos atuais executivos em busca de "dinheiro e poder" para voltar ao comando do grupo.

A companhia moveu quatro ações contra Marcelo e sua família, pedindo anulação dos pagamentos e devolução de R$ 143,4 milhões que teriam sido pagos em razão de chantagem. A Odebrecht, no entanto, perdeu duas delas e foi condenada a pagar multas de R$ 300 mil por litigância de má-fé.

As duas ações que restaram são as em que Marcelo acusou o pai e o irmão de tentativa de extorsão. Já na Bahia, segundo O Globo, ele conseguiu, na semana passada, uma liminar suspendendo a realização de uma assembleia de acionistas da EAO prevista para acontecer no dia 13.