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UOL estreia coluna sobre história sob a perspectiva negra

Os historiadores Ana Flávia Magalhães, Carlos da Silva, Fernanda Oliveira, Mariléa de Almeida e Patrícia Alves-Melo são autores da coluna Presença Histórica, do UOL. - Divulgação
Os historiadores Ana Flávia Magalhães, Carlos da Silva, Fernanda Oliveira, Mariléa de Almeida e Patrícia Alves-Melo são autores da coluna Presença Histórica, do UOL. Imagem: Divulgação

Colaboração para o UOL

08/06/2022 04h00

O UOL estreia nesta quarta-feira (8) a coluna Presença Histórica, que trará análises e reflexões sobre assuntos atuais do debate público partindo do contexto de experiências antirracistas e da população negra ao longo da história do Brasil.

A coluna será compartilhada por cinco representantes da Rede de Historiadoras e Historiadores Negros, coletivo de mais de 300 profissionais em todo o país: Ana Flávia Magalhães, Carlos da Silva Jr., Fernanda Oliveira, Mariléa de Almeida e Patrícia Alves-Melo. De diferentes regiões do país, eles escreverão semanalmente.

Para o baiano Carlos da Silva, professor de História da Universidade Estadual de Feira de Santana, a coluna possibilitará mostrar como as construções históricas do passado têm conexões diretas com a atualidade.

"Queremos abrir uma oportunidade para que as leitoras e leitores nos acompanhem nas nossas análises e reflexões sobre determinados temas, alguns dos quais focados no passado e que ainda trazem impactos significativos na sociedade brasileira contemporânea", reforça o também presidente da Associação Brasileira de Estudos Africanos e membro do Projeto Salvador Escravista.

Professora do Departamento de História da UnB (Universidade de Brasília), Ana Flávia Magalhães afirma que o esforço coletivo da coluna irá promover debates importantes sobre assuntos relacionados à democracia no país. "Nosso interesse está na promoção de um letramento histórico crítico pautado em antirracismo, antissexismo, na defesa do meio ambiente, entre outros valores democráticos", diz. Ela também coordena o grupo de trabalho Emancipações e Pós-Abolição da Anpuh (Associação Nacional de História) para o Centro-Oeste e escreveu os livros "Escritos de Liberdade: literatos negros, racismo e cidadania no Brasil Oitocentista" (Unicamp, 2018) e "Imprensa Negra no Brasil do século XIX" (Selo Negro, 2010).

Traçar paralelos entre história e psicanálise é uma das perspectivas que buscará trazer a historiadora e psicanalista Mariléa de Almeida, doutora em História pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), com passagem na Universidade da Colúmbia (Nova York).

"Apesar das diferenças existentes entre as práticas da história e da psicanálise, ambas promovem ressignficações sobre o passado no tempo presente. Isso porque permitem nomear o que foi recalcado. E, como diagnosticou a filósofa Lélia Gonzalez, o racismo no Brasil funciona como uma espécie de neurose porque opera pela negação de sua existência."

Patrícia Melo-Alves levará para a coluna sua experiência com história colonial e imperial do Brasil. Doutora em História pela UFF (Universidade Federal Fluminense), a professora da UFAM (Universidade Federal do Amazonas) desenvolve pesquisas sobre história indígena, indigenismo e história da escravidão africana na Amazônia.

"Buscamos colaborar para que mais pessoas se apropriem dessas narrativas e ressignifiquem os tempos em que vivem e lutam", conta Patrícia, também autora de "Espelhos Partidos: etnia, legislação e desigualdade na colônia" (EDUA, 2012) e "O Fim do silêncio: presença negra na Amazônia" (CRV, 2011 e 2021).

Já para Fernanda Oliveira, professora do Departamento de História da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), um dos principais pontos positivos da coluna é fazer com que as pessoas saibam da sua história para refletir o presente.

"O papel desse espaço é contribuir para esse letramento histórico, enfatizando aquilo que é próprio da história enquanto ciência: as experiências que as pessoas tiveram e têm em um determinado tempo. Queremos discutir também quais são os atravessamentos que potencializam essas vivências e quais são as responsabilidades frente a esses cenários no presente", explica a acadêmica, também idealizadora e membro de Atinuké, curso sobre o pensamento de mulheres negras, e membro da área dedicada a Emancipações e Pós-Abolição da Anpuh.

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