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Lucro da Petrobras despenca quase 90% no 2º trimestre, para R$ 531 mi

Marta Nogueira e Roberto Samora

06/08/2015 19h25

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras anunciou nesta quinta-feira queda de 89,3% no lucro líquido do segundo trimestre na comparação anual, em grande parte devido ao lançamento de eventos não recorrentes, como dívidas tributárias, em um momento em que a empresa afetada por um escândalo de corrupção busca maior credibilidade do mercado e previsibilidade nos resultados futuros.

O lucro líquido da empresa entre abril e junho foi de R$ 531 milhões, impactado principalmente por redução no valor de ativos (impairment), além de lançamento de pagamento e provisões de dívidas tributárias relativa ao Imposto sobre Operações Financeiras (IOF).

Apesar de o lucro ter despencado ante o mesmo período do ano passado, os executivos da companhia se mostraram bastante satisfeitos com o resultado operacional, que foi robusto.

"Gostaria de frisar que o lucro gerencial da companhia foi ótimo", afirmou o presidente da Petrobras, Aldemir Bendine, em entrevista a jornalistas, após a divulgação ao mercado. Ele creditou o "lucro contábil tão pequeno" ao pagamento e provisão para a dívida tributária, além do impairment.

A petroleira pagou no segundo trimestre uma dívida tributária de R$ 1,6 bilhão  e provisionou outros R$ 2,6 bilhões para outras três ações tributárias, que já estão em fase de julgamento.

Segundo Bendine, 2015 ainda é um ano de ajustes e a empresa está trabalhando para enfrentar passivos tributários para ter uma maior previsibilidade dos resultados no futuro.

"A empresa possui passivo tributário, nós queremos enfrentá-lo, não podemos mais ficar nessa situação de a cada momento ficar esperando decisão de julgamentos em relação a esse enorme passivo tributário que a empresa tem", afirmou.

A empresa ainda registrou, no segundo trimestre, impairment de ativos de 1,283 bilhão nas áreas de Gás e Energia, Abastecimento, e Exploração & Produção, devido à exclusão de projetos da carteira de investimentos contemplada no Plano de Negócios e Gestão de 2015 a 2019.

Do montante do impairment, segundo Bendine, a maior parte se refere à "hibernação por prazo indeterminado" da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados 5, em Uberaba, que sofreu uma baixa contábil total de R$ 580 milhões. Apenas 30% da obra foi realizada até agora, em meio a diversos atrasos.

Já a área de Exploração e Produção teve uma baixa contábil de R$ 245 milhões, sendo que a maior parte relativa à interrupção de atividades exploratórias nos Estados Unidos, além do desinvestimento dos campos de Bijupirá e Salema, na Bacia de Campos, vendidos para a petroleira PetroRio.

A empresa ainda teve no período resultado financeiro líquido negativo de R$ 6,05 bilhões, com peso da variação cambial na dívida e o reconhecimento de juros sobre o débito tributário, entre outros.

Resultado operacional

O presidente da Petrobras disse que os números operacionais mostram o trabalho da nova gestão.

"Estamos muito satisfeitos e pode ser que o número final não mostre grandiosidade da companhia, mas estamos satisfeitos porque não só o que nos propomos fazer, temos cumprido... o resultado operacional da companhia está atendendo todas as expectativas", destacou Bendine, explicando que, se não fosse os três eventos recorrentes, o resultado final seria de quase R$ 6 bilhões, "que a gente acha um belíssimo resultado".

O lucro ajustado antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) somou R$ 19,771 bilhões de abril a junho de 2015, alta de 21,7% sobre um ano antes.

O endividamento total da companhia em 30 de junho chegava a R$ 415,5 bilhões, crescimento de 18% ante o registrado no final do ano passado, enquanto o indicador dívida líquida/Ebitda ajustado recuou ligeiramente para 4,64 vezes, ante 4,77 vezes ao fim de 2014.

Principais negócios

A receita total de vendas da Petrobras somou R$ 79,9 bilhões , alta de 8% ante o primeiro trimestre, mas uma queda na comparação com os R$ 82,3 bilhões do mesmo período do ano passado. Houve redução no volume de vendas de diesel e gasolina, os principais produtos da empresa, em meio à menor demanda interna, afetada pela crise econômica.

No caso da gasolina, as vendas da Petrobras caíram também em função da maior concorrência do etanol, que está sendo vendido a preços mais competitivos. Muitas usinas de cana, com sérios problemas financeiros, estão vendendo o produto a preços baixos para fazer caixa, fazendo grande concorrência ao combustível fóssil.

    A divisão de Abastecimento registrou lucro líquido de R$ 5,62 bilhões, queda de 9% ante os três primeiros meses do ano, pelos maiores custos de aquisição/transferência de petróleo em função do aumento das cotações internacionais em relação ao primeiro trimestre.

    No entanto, a empresa conseguiu reverter um prejuízo nessa divisão de quase R$ 4 bilhões  registrado no mesmo período do ano passado, quando os preços internacionais do petróleo eram quase o dobro e a companhia realizava importações mais volumosas e caras para atender ao crescente mercado interno de diesel e gasolina, na época.

    A produção de derivados caiu 3,8% ante 2014, com a utilização do parque de refino caindo para 92%, ante 98% no mesmo período do ano passado.

    O segmento de Exploração & Produção, por sua vez, teve lucro no segundo trimestre de R$ 5,527 bilhões, alta de 76% ante o primeiro trimestre, com o registro maiores preços de venda de petróleo. Já na comparação com o período de abril a junho de 2014, o resultado líquido de E&P caiu quase pela metade, apesar de um aumento na produção de petróleo e gás no Brasil de 8%, para 2,57 milhões de barris de óleo equivalente/dia, com a Petrobras vendendo a commodity a menores valores que no ano passado.

(Reportagem adicional de Rodrigo Viga Gaier)

Economia