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Retomada de leilões de swaps do BC dependerá de volatilidade, dizem operadores

Bruno Federowski

SÃO PAULO, 9 Nov (Reuters) - A decisão do Banco Central de cancelar o leilão de swaps reversos marcado para esta quarta-feira sinaliza que ele pode ficar fora do mercado ainda mais tempo se a volatilidade provocada pela vitória de Donald Trump nas eleições dos Estados Unidos continuar, segundo operadores e investidores.

Isso representaria um atraso nos planos do BC de desmontar seu estoque de swaps tradicionais, que chegou a mais de 100 bilhões de dólares ao fim do ano passado e hoje equivale a cerca de 24 bilhões de dólares.

"O BC está demonstrando que, daqui para frente, os leilões vão depender de o mercado estar menos volátil", disse o sócio-gestor da Absolute Investimentos Roberto Campos, que ajuda a administrar 1,3 bilhão de reais em ativos.

A inesperada vitória de Trump derrubou os mercados globais durante a madrugada, com investidores temendo que suas promessas erráticas durante a campanha se traduzissem em meses de incerteza.

Antes da abertura dos mercados locais na quarta-feira, o BC anunciou o cancelamento de um leilão de até 5 mil swaps reversos, que equivalem a compra futura de dólares, marcado para a manhã, sem especificar um motivo.

Mais tarde, o presidente do BC, Ilan Goldfajn, disse a jornalistas que a instituição está monitorando os mercados globais e tomará medidas adequadas se necessário, mas preferiu não comentar sobre o resultado das eleições dos EUA.

O BC vinha usando swaps reversos com frequência quase diária desde o ano passado para amortecer a queda da moeda norte-americana e reduzir o estoque de swaps tradicionais, que equivalem a venda futura de dólares.

Mesmo sem a intervenção, o dólar chegou a subir 2,5 por cento frente ao real, para 3,25 reais na máxima do dia. Se a volatilidade continuar nos próximos dias, operadores disseram que é provável que o BC tenha dificuldade em retomar os leilões.

"Mesmo se ele anunciar um leilão para amanhã, ele vai ter que voltar atrás se o mercado reagir com muita força", disse um operador que negocia diretamente com o BC, que pediu anonimato porque não tem permissão de falar com a imprensa.

No entanto, alguns acreditam que o mercado deve voltar a se acalmar nos próximos dias. Operadores apontaram para o discurso "conciliador" de Trump como um sinal de que sua retórica agressiva durante a campanha será substituída por uma postura mais construtiva daqui em diante, o que ajudou a trazer o dólar para perto de 3,20 reais durante a tarde.

Mesmo se Trump conseguir adotar as políticas protecionistas que assustam os investidores no México, alguns analistas acreditam que o impacto sobre o Brasil deve ser limitado.

"É possível que o mercado continue muito volátil daqui para frente e o BC tenha de interromper os swaps, mas o meu cenário base é que o dia de hoje foi um caso particular", disse o economista-chefe do Banco Fibra, Cristiano Oliveira.

(Edição de Patrícia Duarte)

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