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Maia minimiza técnica de abordagem de militares em comunidades carentes no Rio de Janeiro

Por Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), minimizou a técnica de abordagem de militares das Forças Armadas em operação realizada na sexta-feira em comunidades carentes do Rio de Janeiro e entendeu que não houve abusos na ação militar, apesar do desconforto causado aos moradores das favelas.

Maia, que lançou nesse sábado um Observatório Legislativo da Intervenção Federal na Segurança Pública do Estado do Rio de Janeiro, alertou que as ações das Forças Armadas precisam de apoio na intervenção e que críticas desmedidas no início da operação podem enfraquecer o combate ao crime organizado no Estado.

"Se desde o inicio a gente começará a desqualificar a polícia (forças de segurança) e suas ações, vamos ter o mesmo ciclo de outras vezes: uma esperança no início e problemas graves depois", disse ele a jornalistas.

"Se existiu algum abuso, os órgãos responsáveis por fiscalizar vão cumprir seu papel, mas tem que tomar cuidado (com análises)... pedir documento a uma pessoa não necessariamente é um abuso", acrescentou ele.

Maia lembrou que diariamente são cometidos abusos dentro de comunidades do Rio de Janeiro por parte de traficantes de drogas com ordens, determinações, toques de recolher e até execuções.

"O maior problema hoje de um cidadão mais simples é que há muitos anos ele perdeu seus direitos dentro de sua moradia", disse ele.

Na véspera, os militares adotaram uma técnica de abordagem em uma operação em três comunidades carentes da zona oeste gerando desconforto e incômodo em moradores.

"Foi um absurdo e um sinal de que o pior está por vir", afirmou a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

"Queremos que o Observatório tenha autonomia para entrar nas favelas e acompanhem tudo para garantir os direitos fundamentais e constitucionais. Não pode haver violações da sociedade", acrescentou a deputada.

Maia lançou neste sábado o Observatório, formado por servidores da Câmara, que vai acompanhar o planejamento da intervenção, monitorar dados e informações, fomentar a divulgação de pesquisas e resultados da intervenção e promover interação com os interventores. Ele negou que o Observatório tenha fins eleitorais.

"Essa é uma iniciativa que não é eleitoral até porque o momento é delicado... queremos um ambiente mínimo de ordem no Rio de Janeiro e que as pessoas tenham condições de ir para a rua. Se não entendermos as causas da violência teremos soluções apenas do curto prazo", frisou Maia.

O evento para o lançamento do Observatório reuniu diversos parlamentares locais e federais, além de secretários de várias cidades do Estado. A maioria dos que tiveram direito à palavra defenderam mais investimentos na Educação como forma de se criar oportunidades aos jovens e evitar a migração para o mundo do crime, mas a falta de recursos disponíveis nas prefeituras e nos governos estaduais e federal foi colocada como empecilho.

O presidente da Câmara afirmou que o Observatório e uma Comissão Externa da Câmara que ainda será constituída pretendem ter acesso ao planejamento da intervenção e conhecer detalhes como orçamentos, gastos e atuação, além de criar uma canal de denúncias contra eventuais excessos dos militares.

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