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Ibovespa recua com exterior desfavorável, ruídos políticos

14/05/2020 12h08

Por Paula Arend Laier

SÃO PAULO (Reuters) - O Ibovespa recuava cerca de 2% nesta quinta-feira, contaminado pelo viés negativo de praças acionárias no exterior em meio a preocupações relacionadas à pandemia de Covid-19, com ruídos políticos também no radar, além de uma bateria de resultados prevista para o final do dia, incluindo Petrobras.

Às 11:47, o Ibovespa caía 1,93%, a 76.273,86 pontos. O volume financeiro era de 7,3 bilhões de reais.

"O Ibovespa está refletindo as preocupações dos investidores com cenário externo, impacto da pandemia na atividade econômica após pedidos de seguro-desemprego acima do esperado nos EUA e o presidente Donald Trump acirrar a retórica contra a China", afirmou o analista Régis Chinchila, da Terra Investimentos.

No exterior, o norte-americano S&P 500 perdia 0,9

O presidente dos EUA, Donald Trump, disse nesta quinta-feira que está muito decepcionado com a China pelo que afirma ser a incapacidade do país asiático de conter o novo coronavírus e voltou a dizer que não tem interesse em renegociar o acordo comercial.

Da agenda macroeconômica, os pedidos iniciais de auxílio-desemprego nos EUA totalizaram 2,981 milhões em dados ajustados sazonalmente na semana encerrada em 9 de maio. Economistas consultados pela Reuters projetavam 2,5 milhões.

Na visão do estrategista Dan Kawa, da TAG Investimentos, os ativos de risco estão passando por mais um momento de instabilidade, movimento que ele vê como normal e até esperado, após a rápida e acentuada recuperação verificada em abril. Na bolsa paulista, o Ibovespa valorizou-se 10,25% no mês passado.

Kawa avalia que o mercado deve permanecer volátil, dada a incerteza em relação a retomada econômica, novos atritos entre EUA e China, dificuldade do Ocidente em reabrir em meio a um 'novo normal', entre outros fatores.

Para a equipe da Guide Investimentos, investidores continuam reavaliando o nível de preços alcançado após recuperação de abril contra os riscos presentes no cenário econômico, com as atenções no Brasil também voltadas para questões políticas.

DESTAQUES

- PETROBRAS PN recuava 2,96%, entre as maiores quedas do Ibovespa, antes da divulgação do balanço do primeiro trimestre, previsto para após o fechamento do mercado nesta quinta-feira. A queda acontece apesar da alta dos preços do petróleo no exterior. PETROBRAS ON cedia 3,03%.

- VALE ON cedia 1,59%, seguindo pares nos mercados no exterior, com o setor de mineração e siderurgia na bolsa paulista mostrando desempenho misto nesta sessão. CSN ON destoava e subia 2,26% antes do balanço, agendado para o final do dia.

- ITAÚ UNIBANCO PN e BRADESCO PN caíam 1,9% e 2,54%, respectivamente, com as atenções voltadas para o Senado, particularmente a chance de votação de projeto que estabelece teto de juros de 20% ao ano para cartões de crédito e cheque especial para todas as dívidas contraídas entre março de 2020 e julho de 2021. BANCO DO BRASIL recuava 1,8% e SANTANDER BRASIL UNIT perdia 2,61%.

- SULAMÉRICA UNIT desabava 11,95%, após reportar forte queda no lucro do primeiro trimestre, para 79,7 milhões de reais, atingida pela desvalorização dos ativos da carteira de investimentos da companhia em renda variável, na esteira da volatilidade provocada pela pandemia do coronavírus.

- AZUL PN mostrava declínio de 3,99%, tendo de pano de fundo prejuízo líquido de mais de 6 bilhões de reais no primeiro trimestre, afetada pela depreciação do real e acordo com Embraer para adiamento em entrega de aviões. GOL PN cedia 2,88%. Também no radar do setor aéreo estão notícias de que a ajuda do BNDES ao segmento deve encolher para 4 bilhões de reais, menos da metade do montante inicialmente previsto.

- VIA VAREJO ON perdia 1,86%. A dona das redes Casas Bahia e Ponto Frio reportou lucro líquido de 13 milhões de reais no primeiro trimestre do ano, revertendo o prejuízo de 50 milhões de reais um ano antes.

- ULTRAPAR ON avançava 2,45%, entre as poucas altas da sessão. A companhia, cujo leque de negócios inclui a rede de postos de combustíveis Ipiranga, além de distribuição de gás, granéis, químicos e varejo farmacêutico, anunciou na quarta-feira que teve lucro líquido de 169 milhões de reais de janeiro a março, queda de 30% na comparação com um ano antes. O Ebitda, porém, subiu 12,5%.