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Brasil resgata mais de 100 vítimas de escravidão em operação nacional

28/01/2021 16h07

Por Fabio Teixeira

RIO DE JANEIRO (Thomson Reuters Foundation) - Uma empregada escravizada há décadas foi uma das dezenas de vítimas de escravidão resgatadas em ações coordenadas em todo o Brasil, disseram autoridades nesta quinta-feira, comemorando a operação como um "marco" nos esforços antitráfico.

A maioria dos 118 trabalhadores libertados pela "Operação Resgate" foi encontrada em áreas rurais, muitos deles colhendo laranjas em Goiás, mas vários outros penavam em lojas clandestinas de São Paulo e duas trabalhavam como empregadas no Rio de Janeiro.

"Esta operação é um marco", disse Romulo Machado e Silva, subsecretário de Inspeção do Trabalho, descrevendo as batidas simultâneas como a maior operação antiescravidão conjunta do país.

Mais de 500 agentes participaram de 64 batidas repressivas, disse Silva em uma coletiva de imprensa nesta quinta-feira, que marcou o dia nacional da luta contra o trabalho escravo no Brasil.

"O perfil dos resgatados é o mais variado", detalhou Silva, mencionando idosos, indígenas, adolescentes e pessoas com necessidade especiais entre eles.

Autoridades disseram que a empregada encontrada no Rio estava sendo escravizada há cerca de 40 anos, mas não deram maiores detalhes.

No mês passado, autoridades resgataram uma empregada de 46 anos escravizada desde os oito anos e forçada a se casar.

Cerca de 942 pessoas foram encontradas em condições análogas à escravidão no Brasil no ano passado, uma redução de apenas cerca de 10% em relação a 2019, apesar de uma interrupção de dois meses nas inspeções trabalhistas por causa do surto de coronavírus,

Desde que o país criou sua força-tarefa antiescravidão, em 1995, mais de 55 mil pessoas em condições análogas à escravidão foram encontradas.

No Brasil, a escravidão é definida como trabalho forçado, mas isto também cobre sujeição por dívidas, condições de trabalho degradantes, horas longas que representam risco à saúde e trabalho que viola a dignidade humana.

No passado, não era incomum uma única batida resultar no resgate de mais de uma centena de trabalhadores, mas hoje em dia os trabalhadores escravizados muitas vezes estão mais espalhados, o que dificulta a detecção.

"O que não quer dizer... que há uma redução (no trabalho escravo)", disse Alberto Bastos Balazeiro, procurador do Trabalho. "Ainda há muito trabalho a ser feito."