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Comercializadora de energia 2W avança em geração e aposta em tecnologia, diz CEO

29/04/2021 16h36

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A comercializadora de eletricidade 2W Energia avançou em planos de expandir a atuação para o segmento de geração renovável, ao praticamente assegurar o financiamento para seus primeiros parques eólicos, disse à Reuters o presidente da companhia, que também revelou intenção de crescimento em tecnologia.

A empresa, que tem carteira de projetos eólicos e solares com cerca de 1 gigawatt em capacidade para implementação nos próximos anos, deve iniciar obras de duas usinas ainda em 2021.

A estratégia da 2W vem em meio a um forte crescimento do mercado livre de energia, onde consumidores com maior demanda como indústrias e empresas podem negociar o suprimento e preços com grupos de geração de energia ou comercializadoras.

"A 2W nasceu como comercializadora, mas a gente vem se tornando uma plataforma integrada que vai da geração até o consumidor final. Temos 1 GW em projetos para implantar até 2025", disse o CEO, Claudio Ribeiro.

A companhia prevê iniciar em 60 dias a mobilização para as obras do primeiro parque --Anemus, no Rio Grande do Norte, com 139 megawatts. A conclusão é prevista para setembro de 2022.

A segunda usina, Kairós, de 42 megawatts, no Ceará, tem previsão de construção a partir do final do segundo semestre, provavelmente dezembro, segundo Ribeiro.

Ele disse que a 2W obteve empréstimo mezanino de 45 milhões de dólares da norte-americana Darby International Capital e que há compromisso de usar 35 milhões dos recursos no projeto Anemus, para o qual a empresa ainda captará 475 milhões de reais com emissão de debêntures que será coordenada pelo BTG Pactual.

Já o projeto Kairós deve usar o valor restante levantado com a Darby, além de recursos da 2W, que encerrou março com 29 milhões de reais em caixa. A empresa ainda espera obter recursos do Banco do Nordeste (BNB) para as obras.

O investimento nos dois parques somará 950 milhões de reais.

O vice-presidente comercial e de marketing da 2W, Guilherme Moya, disse que a empresa também tem avançado na comercialização da produção futura de Anemus, com foco em empresas de pequeno e médio porte, consideradas clientes "de varejo" em meio aos grandes consumidores que operam no mercado livre.

"Nesse ritmo em que estamos indo, vamos vender toda energia do parque no varejo antes da operação comercial... nossa estratégia é sempre ter a energia dos próximos três anos do parque 100% vendida em contratos de até cinco anos".

TECNOLOGIA

A 2W também tem focado em tecnologia, visando desenvolver aplicações que possam agregar serviços para seus clientes.

Nesse sentido, a empresa anunciou em março acordo preliminar para comprar 100% da fornecedora de soluções tecnológicas em energia Way2, em uma transação de 79 milhões de reais.

O CEO da 2W espera concluir o negócio em 60 dias, após definição sobre como vai se dar o pagamento. "A ideia é fazer alguma operação estruturada, troca de ações, algo parecido."

"De uma maneira macro, queremos cada vez mais nos aproximar de tecnologia... estamos olhando várias iniciativas", acrescentou Ribeiro, ao apontar que a empresa não descarta outras futuras aquisições com esse objetivo.

A companhia também tem iniciativas de aceleração de startups de energia, que terão cerca de 3 milhões de reais por ano.

RESULTADOS, IPO

A 2W, que se tornou companhia aberta em meados de 2020 mirando uma oferta inicial de ações (IPO), fechou o primeiro trimestre com lucro de 7,4 milhões de reais, enquanto a receita líquida subiu 58,3%, para 258,8 milhões.

Questionado sobre os planos de IPO, Ribeiro disse que eles não foram abandonados, mas estão em avaliação no momento, após a empresa ter desistido de realizar a operação em outubro passado.

"Estamos prontos para isso, mas não é uma meta."

Ele explicou que o IPO pretendia levantar recursos para os projetos de geração e, como a companhia já avançou na estruturação de financiamentos, não há uma urgência na operação.